Da luta armada à literatura

Battisti é autor de romances policiais

Julia Duailibi, O Estadao de S.Paulo

15 de janeiro de 2009 | 00h00

Durante o tempo em que viveu em Paris, o italiano Cesare Battisti, 54, acusado de quatro mortes em seu país, mergulhou na literatura e chegou a se tornar um autor de romances policiais. Acusado de terrorismo na Itália, o ex-integrante da organização de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) frequentou programas de rádio e de televisão na capital francesa para divulgar sua obra literária. Em seus livros, Battisti frequentemente faz menção à luta armada, da qual participou durante a década de 70. De acordo com a crítica internacional, o italiano abusa do tom confessional em sua obra, muitas vezes colocando-se como uma espécie de Robin Hood que atuava na defesa dos pobres contra os "malvados" representantes do capitalismo moderno.Battisti começou a flertar com a literatura quando estava na França, onde viveu a maior parte do tempo depois de ser condenado pela Justiça italiana. Em Paris, ele se aproximou da esquerda, ficando amigo de intelectuais, professores universitários e escritores, que o incentivaram em sua obra e o apresentaram a editores. Antes disso, já havia editado revistas sobre literatura no México, por onde passou antes de ir para a França.Les Habits D?Ombre foi o primeiro romance de Battisti, publicado em 1991 por uma editora francesa. Nos anos seguintes vieram L?Ombre Rouge (1993), Nouvel an, Nouvelle Vie (1994) e Buena Onda (1996). Em vários de seus livros ele aborda a questão de fugitivos italianos vivendo em Paris. Em 1998, lançou Dernières Cartouches, considerada uma biografia. Ao todo, foram mais de dez livros publicados desde a década de 90 - ele chegou a produzir um livro por ano. Parte da crítica italiana já condenou o espaço que a mídia francesa deu para a obra de Cesare Battisti, dizendo que o país vizinho era leniente com os atos de um criminoso e que ele os iludia com suas histórias. Atualmente, uma de suas maiores defensoras é a autora francesa Fred Vargas, que também escreve romances policiais.Em 2006, antes de ser preso no Brasil, Battisti lançou na França Ma Cavale, no qual expôs sua defesa. No prefácio, o filósofo francês Bernard-Henri Lévy alega que o italiano é um bode expiatório. Battisti também virou personagem de livro, como em The Battisti Generation, no qual o jornalista francês Guillaume Perrault conta a história do italiano.

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