Fabio Rossi | PAGOS
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Da Igreja Universal à base aliada de Dilma e Temer no Senado

Marcelo Crivella (PRB) é favorito à eleição e tenta se afastar das acusações de que igreja de Edir Macedo interfira em sua carreira

Fábio Grellet / RIO, O Estado de S.Paulo

29 Outubro 2016 | 22h06

Há 14 anos na política, Marcelo Crivella (PRB) tenta pela terceira vez ser eleito prefeito do Rio de Janeiro. Em 2004, ficou em segundo lugar, derrotado por César Maia (DEM). Quatro anos mais tarde, obteve a terceira maior votação, atrás de Fernando Gabeira (PV) e Eduardo Paes (PMDB), que venceu a disputa no segundo turno.

Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e engenheiro civil formado em 1984 (fez o curso na Faculdade Santa Úrsula, no Rio, e na Faculdade de Engenharia Civil de Barra do Piraí, no sul fluminense), Crivella lançou-se à política como candidato a senador em 2002, pelo Estado do Rio. Havia duas vagas e o engenheiro concorria pelo PL, mesmo partido de José Alencar, então candidato a vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os petistas do Rio receberam do então presidente do partido, José Dirceu, uma determinação: o partido deveria apoiar Crivella como segundo candidato às duas vagas do Estado naquele ano. Com 3,2 milhões de votos, Crivella obteve a segunda vaga, atrás de Sérgio Cabral Filho (PMDB), que já tinha carreira política consolidada e recebeu 4,1 milhões de votos. O estreante deixou para trás lideranças políticas tradicionais como Leonel Brizola (PDT).

Também tentou duas vezes chegar ao governo do Estado. Em 2006, ficou em terceiro lugar, atrás de Denise Frossard (PPS) e Cabral, e, em 2014, perdeu no segundo turno para Luiz Fernando Pezão (PMDB). Também participou da fundação do PRB, em 2005, quando deixou o PL, então envolvido em denúncias do mensalão.

Confusão. Antes da política, se destacou como músico gospel, paralelamente a seu papel como pastor evangélico. Com 236 canções de sua autoria, já gravou 16 álbuns, que venderam mais de 5 milhões de cópias. Como engenheiro, foi responsável pela construção de templos da Igreja Universal.

Em uma dessas obras, chegou a se envolver em um distúrbio em 1990, no Rio de Janeiro. Foi detido e fotografado de frente e perfil na polícia. O inquérito aberto sumiu dos arquivos policiais: Crivella disse que o delegado João Kepler Fontenelle (agora morto) lhe deu a papelada. A família do policial diz que quer processá-lo.

Em 1993, Crivella mudou-se com a família para a África, onde foi trabalhar como missionário. Divulgou a igreja em 18 países, pregando em português, inglês e zulu. Desapontado com a falta de estrutura dos lugares onde vivia, cogitou desistir da missão, mas permaneceu até 1999. Quando voltou ao Brasil, se lançou em nova empreitada: desenvolver um projeto social em uma fazenda de Irecê, no sertão da Bahia.

Embora negue que a Universal interfira em sua carreira política, Crivella já disse em pregação que “os evangélicos ainda vão eleger um presidente da República que vai trabalhar por nós e nossas igrejas” e mantém ao seu redor vários líderes evangélicos.

Intolerância. Durante a campanha eleitoral, foram divulgados textos e discursos na imprensa em que Crivella externou preconceito contra homossexuais e intolerância contra outras religiões. Foi relembrada também uma música que Crivella compôs ironizando o chute desferido por um colega na imagem de uma santa católica.

Nascido em Botafogo e criado na Gávea, Crivella é filho único. Casado desde 1980 com Sylvia Jane, tem três filhos. / COLABOROU WILSON TOSTA

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