Dida Sampaio/Estadão - 24/2/2021
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'Da aceitação às urnas, há muito trabalho pela frente'; leia análise de Márcia Cavallari

Diretora do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) avalia resultados de pesquisa de potencial de voto para presidenciáveis em 2022

Márcia Cavallari*, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2021 | 22h12

Os resultados de uma pergunta sobre potencial e rejeição de voto podem ser considerados como o capital político de um candidato. É o saldo de tudo que ele acumulou em sua trajetória política, tanto no que diz respeito às expectativas e percepções em relação a ele, como também na sua rejeição. É a base a partir da qual poderá iniciar uma campanha eleitoral.

A pergunta sobre o potencial de voto é feita individualmente para cada candidato, por isso não pode ser interpretada como uma pergunta de intenção de voto, na qual o eleitor faz uma escolha comparativa entre vários nomes. O eleitor reflete sobre determinado candidato e responde se com certeza votaria nele, se poderia vir a votar, se não votaria de jeito nenhum ou ainda se não o conhece o suficiente para poder opinar. As respostas não são excludentes entre candidatos. Esses resultados podem mudar ao longo de uma campanha eleitoral: alguns ficam mais conhecidos e conseguem construir uma imagem mais positiva, aumentando o seu potencial de voto; outros ficam mais conhecidos, mas aumentam a sua rejeição.

O fato é que os candidatos mais conhecidos têm uma rejeição mais consolidada, e por isso o trabalho para revertê-la é maior e mais árduo. Já os candidatos que apresentam um índice de desconhecimento maior podem conseguir reverter a rejeição mais facilmente, porque parte da rejeição pode vir pela falta de conhecimento do candidato.

Esta pesquisa nacional realizada pelo IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) mostra que, entre os possíveis candidatos à Presidência da República, Lula e Bolsonaro são os mais conhecidos. Apenas 4% declaram que não os conhecem o suficiente para opinar sobre eles. Os demais nomes testados apresentam proporções que variam de 13% a 37%. O fato é que, hoje, os níveis de rejeição de todos os candidatos testados variam de 44% a 59%, mas os de Lula e Bolsonaro são os mais consolidados porque são os mais conhecidos. Eles apresentam rejeições mais altas em segmentos sociodemográficos distintos – enquanto Lula tem rejeição mais forte entre homens, eleitores de 45 a 54 anos, residentes no Sul e no Sudeste, aqueles com nível superior e os que têm renda mais alta, Bolsonaro atinge os seus maiores índices de rejeição entre mulheres, jovens de 16 a 24 anos, pessoas com nível superior, residentes na região Nordeste e entre os que têm renda mais baixa.

Em suma, ambos terão muito trabalho pela frente!

*Márcia Cavallari é diretora do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) 

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