D. Cláudio Hummes cotado para papa, diz The Guardian

O nome do cardeal arcebispo de São Paulo, D. Cláudio Hummes, está sendo mencionado como um dos possíveis sucessores do papa João Paulo II. Segundo reportagem publicada hoje pelo jornal britânico The Guardian, especialistas em assuntos do Vaticano afirmam que há uma grande possibilidade de um cardeal latino-americano ser eleito para o posto.Ao longo das últimas semanas vem crescendo a especulação sobre o estado de saúde do Papa João Paulo II. Durante a Páscoa, o pontífice mostrou sérias dificuldades para participar das suas funções oficiais. Com isso, cresce também a especulação sobre quem poderá assumir a chefia da Igreja Católica."Um dos maiores desafios da igreja católica hoje é o de alterar a sua imagem de eurocêntrica para global e como a maioria dos católicos vive hoje fora da Europa, é muito possível que o próximo papa venha de outro continente", disse Jacek Palasinski, um especialista polônes sobre o Vaticano. "Mas provavelmente não será da África, mas sim da América Latina."Além do cardeal arcebispo de São Paulo, o The Guardian cita, entre os possíveis nomes latino-americanos, o arcebispo de Santiago do Chile, Javier Errazuriz; o arcebispo de Tegucigalpa, Oscar Maradiaga; e o cardeal colombiano Dario Castrollon Hoyos, prefeito da Congregração para o Clero do Vaticano.O primeiro papa negro?O The Guardian ressalta, no entanto, que a perspectiva de um primeiro papa negro recebeu ontem uma importante apoio quando o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Joseph Ratzinger, disse que gostaria de ver o próximo chefe da Igreja Católica Romana proveniente do continente africano. "Eu pessoalmente sinto que isso seria um bom sinal para a cristandade em sua totalidade"", disse Ratzinger numa entrevista ao jornal alemão Die Welt.O comentário do cardeal Ratzinger, que foi encarado como um apoio à candidatura do cardeal nigeriano Francis Arinze, causou enorme surpresa pois não é comum se falar abertamente sobre preferências para a sucessão no Vaticano, ainda mais se tratando de uma das principais autoridades da Igreja Católica.Ratzinger afirmou que ainda predomina no Ocidente uma grande cautela em relação ao Terceiro Mundo. "Mas na África, por exemplo, nós temos grandes figuras", disse. "Elas têm totalmente a estatura requerida para o posto."O The Guardian salientou que o cardeal Ratzinger é um "conservador linha-dura", que tem mantido um controle rigoroso no departamento do Vaticano encarregado de preservar a ortodoxia da doutrina. Segundo Austen Ivereigh, editor do semanário da Igreja Católica inglesa, Tablet, isso pode explicar a preferência de Ratzinger por um papa africano."Os bispos africanos tendem a ser mais conservadores, tanto na doutrina como moralmente, do que os da América Latina", disse Ivereigh. "Alguns bispos latino-americanos são extremamente conservadores, mas no geral eles são mais ligados a temas como a justiça social. Por isso o Vaticano vê a África como um grande continente de esperança."

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