CVM multa executivos e grupo Opportunity em R$ 910 mil

Quatro dos detidos da Satiagraha constam dos autos, menos Daniel Dantas; denúncia envolve fundo off shore

Mônica Ciarelli, da Agência Estado,

17 de julho de 2008 | 19h29

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aplicou multas que somam R$ 910 mil, desde 2000, a quatro dos principais executivos do Opportunity e instituições do grupo do banqueiro Daniel Dantas, investigado pela Polícia Federal na Operação Satiagraha. Quatro dos detidos na operação da Polícia Federal - Verônica Dantas, irmã do banqueiro, Dório Ferman (presidente do banco e principal gestor dos fundos de investimento), Arthur Carvalho e Maria Amália Coutrim - constam dos autos da CVM.  Veja também:Senadora vai à Justiça contra executivos de Dantas e PFJustiça nega novo pedido de prisão contra Dantas no caso KrollEntenda como funcionava o esquema criminoso Veja as principais operações da PF desde 2003 As prisões de Daniel Dantas Maria Amália foi a única não multada, mas teve decidida sua inabilitação para operar no mercado financeiro, punição também imposta a Verônica e Arthur Carvalho. Daniel Dantas, sócio-fundador do grupo, não foi citado nos inquéritos da CVM. O Opportunity conseguiu reverter no ano passado parte das multas impostas no Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN), órgão que funciona como uma segunda instância para as decisões tomadas pela CVM e o Banco Central. Na época, o órgão - conhecido no mercado financeiro como conselhinho - baseou sua decisão de anular multas que somavam R$ 480 mil contra o Opportunity e seus executivos na impossibilidade de obter a lista do Opportunity Fund, fundo off shore com sede nas Ilhas Cayman, aplicação que é destinada apenas a investidores estrangeiros. O inquérito aberto pela CVM apurou denúncias de que brasileiros estariam entre os seus cotistas. Durante as investigações não se conseguiu provar a existência de brasileiros. O relator do processo na época, o diretor da CVM Eli Loria chegou a lamentar não poder contar com a relação de cotistas do fundo. As Ilhas Cayman, paraíso fiscal, se recusaram a fornecer a documentação pois exigiam garantias de que a informação não seria usada em processos criminais. A multa foi fixada pela comprovação de que o banco fez um esforço de venda de cotas do Opportunity Fund no Brasil. Em 2004, a Operação Chacal da Polícia Federal revelou a identidade de várias empresas, pessoas e até ONGs de brasileiros que investiram ilegalmente no Opportunity Fund. O relatório dessa investigação serviu de base para a Operação Satiagraha deflagrada pela PF na semana passada.

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