CUT vai procurar governo para negociar reformas

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) vai tentar se reunir, na próxima semana, com o governo Lula para discutir as reformas da Previdência e tributária. O presidente da maior central sindical do País, João Felício, afirmou que a idéia é discutir as reformas com o Executivo antes do envio das propostas ao Congresso Nacional. "Vamos buscar negociação e alteração de alguns pontos, como o da taxação de inativos do setor público que recebem acima R$ 1.058,00", afirmou.Felício disse que se a negociação com o Executivo não for possível, a CUT vai procurar a bancada de todos os partidos e discutir o tema no Congresso. "Não somos contra a taxação de aposentados que ganham altíssimos salários. Mas não podemos apoiar a taxação dos que ganham pouco e que têm sofrido arrocho salarial", afirmou o presidente da CUT.Felício, que é professor, disse que o funcionalismo público sofre preconceito. "A grande maioria ganha pouco e se aposenta ganhando pouco." Ele rebateu as críticas que a CUT vem recebendo. "Dizem que estamos sendo contrários a alguns pontos da reforma da Previdência porque a maioria dos integrantes da CUT é de funcionários públicos. Isso não é verdade", garantiu. "A maioria da CUT não é de funcionários públicos, que correspondem a apenas 28% da central sindical", acrescentou.Idade mínimaOutro ponto da proposta de reforma da Previdência que a CUT discorda se refere, segundo Felício, ao aumento da idade mínima para a aposentadoria dos atuais e futuros servidores públicos. A proposta de reforma que o governo vai enviar ao Congresso prevê idade mínima de 60 anos para homens e 55 para mulheres. "Essa questão da idade pode ser correta para alguns países, onde as pessoas têm boas condições de vida, mas não para o Brasil." Para o presidente da CUT, se a nova idade para aposentadoria entrar em vigor, será comum no País muitos contribuírem com a Previdência cerca de 40, 45 anos. "Muita gente começou a trabalhar jovem. Isso também de ser levado em conta, assim como as características particulares de diferentes categorias."Reforma tributáriaPara Felício, em relação à reforma tributária, o governo deve criar diferentes alíquotas para o Imposto de Renda (IR) e taxar heranças. "Em países capitalistas a taxação de herança é altíssima", comentou, acrescentando que a CUT vai sugerir alterações por meio de emendas constitucionais. "Concordamos e apoiamos o governo em relação à desoneração da produção. Mas podem haver também outras mudanças."Veja o índice de notícias sobre as reformas

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