Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

CUT-SP vai à Justiça por autorização para ato na Paulista pró-Lula

Entidade age contra impasse criado com agendamento de manifestação no dia do julgamento do ex-presidente por grupo que defende a prisão do petista

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2018 | 17h18

Atualiazada às 19h18

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-SP), Douglas Izzo, afirmou nesta quinta-feira, 18, que a entidade deve entrar com um mandado de segurança para garantir a realização de manifestação na Avenida Paulista no próximo dia 24 de janeiro, data do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4).

Na quarta-feira, 17, uma  reunião entre a Polícia Militar e membros do Movimento Brasil Livre (MBL), Revoltados Online e CUT sobre manifestações na Paulista terminou em impasse. Grupos pró e anti-Lula se reuniram por quase duas horas na sede do Comando de Policiamento Metropolitano 1 (área centro da Capital), mas não chegaram a nenhum acordo sobre mudanças de local e horário de seus respectivos atos.

Em suas redes sociais, MBL e CUT continuam divulgando a realização de atos na Paulista. O MBL  tem anunciado um ato que iria das 10h às 20h, em frente ao Masp. Já a CUT informou que o seu ato começaria às 17h, em frente à Fiesp.

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Sem possibilidade de avanço no diálogo entre entidades interessadas, a Polícia Militar optou por comunicar na quarta-feira o Ministério Público que a realização dos atos no mesmo horário e local “implicaria em ameaça quanto à integridade física e segurança dos participantes”. O Ministério Público avisou na tarde desta quinta-feira que a representação da PM já chegou e que o órgão está avaliando a situação. 

MBL e Revoltados Online, que protocolaram o pedido para ocupar a Avenida Paulista no dia 18 de dezembro, não concordaram em alterar os horários de manifestação ou o local antes previstos. Como o pedido da CUT foi feito apenas no dia 8 de janeiro, os movimentos anti-Lula teriam preferência de escolha. “Nós tentamos um acordo. A gente propôs mudança de horário ou até na chegada dos manifestantes por lados diferentes da avenida. Ainda assim, o MBL não aceitou. Esse grupo está agindo deliberadamente para evitar que grupos pró-Lula se manifestem livremente”, disse Izzo.

Já o coordenador do MBL, Kim Kataguiri, afirmou não aceitar um acordo por considerar “arriscado deixar uma mobilização da CUT marcada para o mesmo local com apenas uma hora de diferença para o nosso”. Segundo Kataguiri, “a CUT nunca cumpriu nenhum acordo feito com o MBL nessas reuniões com a polícia”.

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Em nota, CUT, e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo reafirmaram o desejo de "todos os recursos jurídicos e políticos para manter a manifestação no local marcado." "Os movimentos sociais já mudaram o local de concentração e horário do ato diversas vezes numa clara tentativa de diálogo. O que percebemos é que grupos que não toleram a democracia querem impedir de qualquer forma a nossa manifestação. Não vão conseguir isso. Já estamos mobilizados e recorrendo para garantir um grande ato em defesa da democracia e do direito do ex-presidente Lula ser candidato."

Uma nova rodada de negociação entre CUT, Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo está prevista para o final da tarde desta quinta, 18.

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