CUT quer 5 mil em Brasília contra mudança na CLT

A Central Única dos Trabalhadores pretende levar a Brasília cerca de 5 mil pessoas para protestar contra a votação do projeto de lei que modifica a aplicação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), prevista para amanhã no plenário da Câmara dos Deputados. Para o presidente da entidade, João Felício, o projeto é "a maior agressão aos trabalhadores de todos os tempos". "Cinqüenta e cinco por cento da classe trabalhadora está na informalidade, e o governo quer levar para a mesma situação os 45% restantes", acusou Felício.Felício disse ainda estranhar o argumento do governo, de que a aprovação do projeto de lei fortaleceria os sindicatos. "Nós não queremos esse tipo de fortalecimento, que prejudica o trabalhador", afirmou. "Nós, os sindicatos, é que temos de saber como vamos nos fortalecer." O presidente da CUT informou que a entidade entrará com ação na Justiça se o projeto de lei for aprovado. "Vamos ao Supremo e ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) se for preciso."O projeto de lei que muda o artigo 618 da CLT permite que acordos e convenções coletivas entre patrões e empregados se sobreponham às leis trabalhistas. Pela proposta, as empresas e os sindicatos poderão fazer acordos coletivos que permitam flexibilizar algumas regras, possibilitando, por exemplo, o pagamento do 13º salário em mais de duas vezes ou o parcelamento das férias, o que atualmente é proibido."Essa lei prejudica o povo mais pobre e mais sofrido", comentou o sindicalista. "Porque é ele quem precisa da CLT para se defender. Quando ele vai para a mesa de negociação, ele só tem a lei como garantia. Agora vai perder isso." Ele criticou o que considerou a "forma apressada" como o governo decidiu votar o projeto de lei - às vésperas do recesso parlamentar e em regime de urgência. Enquanto o projeto não for votado ou o pedido de urgência não for retirado, a pauta da Câmara permanece trancada.O ato previsto para ocorrer em Brasília vai reunir militantes da CUT, de sindicatos e da Central de Movimentos Populares. Estes vão reivindicar ainda moradias. O protesto deve ocorrer no início da tarde. "Se houver votação, porque, afinal, não costuma haver quórum em Brasília às terças-feiras", ironizou.

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