CUT protesta contra mudanças na CLT

Apenas deputados do PT passaram esta manhã pela "barreira" da Central Única de Trabalhadores (CUT) no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A manifestação da CUT foi uma tentativa de convencer os deputados paulistas a votarem contra o projeto de lei que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e que será levado ao plenário hoje em Brasília. A mudança proposta é de que as negociações entre trabalhadores e empresários prevaleçam em relação a legislação. Todos os deputados entrevistados pela Agência Estado garantiram que vão votar contra o projeto.O primeiro deputado a chegar ao aeroporto foi Luiz Eduardo Greenhalgh. "A idéia da CUT foi muito boa. Vale a pena tentar convencer os deputados a não aceitarem esta proposta", afirmou. Jair Meneguelli, que embarcou para Brasília, disse que pretende usar todos os artifícios que o Regimento permitir para tentar obstruir a votação desta tarde. "Vai ser um trabalho difícil, pois temos medo das negociações que possam ocorrer paralelamente", argumentou o deputado.Ricardo Berzoini, também do PT, disse que aproveitou o fim de semana para discutir o assunto com bancários, metalúrgicos e professores. "Todos estão assustados e com medo de perderem seus direitos. Se o projeto for aprovado, será o pior retrocesso da história trabalhista do Brasil", afirmou ele.Os representantes da CUT também registraram a presença de Alberto Goldmann (PMDB), que não quis falar com a imprensa. Segundo a assessoria de imprensa da CUT, ele teria dito que não daria entrevistas pois seu voto já estava definido. Estes foram os deputados que passaram pela "barreira" da CUT em São Paulo, mas segundo João Felício, presidente nacional da Central, há um outro grupo de líderes sindicais no aeroporto de Brasília aguardando a chegada dos parlamentares. Também está lá um grupo de funcionários da Volkswagen uniformizados, para demonstrar, segundo os líderes sindicais, que o acordo fechado entre a montadora e o Sindicato foi realizado sem que houvesse necessidade de mudar artigos da CLT. "Lá, ninguém escapa, pois a saída é uma só".De acordo com Felício, a grande esperança de que o projeto não seja aprovado são os deputados do PMDB e alguns da base governista, que têm ligação com o sindicato em suas regiões de origem. Felício também embarcou para Brasília. Ele obteve habeas corpus para circular no Congresso durante a votação. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, o secretário-geral da CUT, Carlos Alberto Grana, o presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, Heiguiberto Navarro (Guiba), e o presidente da Confederação Geral dos Trabalhadores, conhecido como Salim, também estiveram presentes na manifestação.

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