CUT faz críticas ao governo mas deixa claro apoio a Lula

No breve ato político de sua festa do 1.º de Maio, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) fez críticas ao governo, cobrou mudanças "além das que já foram feitas", mas deixou claro que ainda dá todo o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva."Sabemos da herança deixada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A classe trabalhadora está contigo, Lula, mas é preciso planejamento para o desenvolvimento e para a recuperação do salário mínimo", discursou o presidente da entidade, Luiz Marinho, diante das 450 mil pessoas - segundo a Política Militar - que foram à Avenida Paulista, em São Paulo. Marinho chegou a dizer que havia 800 mil pessoas no local.A presença de Lula no evento chegou a ser cogitada pelos organizadores da festa, mas ele não apareceu. O governo foi representado pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que subiu no palco, mas não discursou.Em entrevista antes do ato político, quando os artistas contratados se revezavam em suas apresentações, Marinho foi mais duro com Lula. "A situação nunca foi diferente da de agora, do ponto de vista econômico, do desemprego e da renda", afirmou o sindicalista, para quem não seria possível garantir um ambiente amistoso caso o presidente decidisse comparecer à festa."Não dou garantia para ninguém que possa ter ou não vaia, eventualmente poderia ter." Entre as poucas referências a Lula no evento, foi exibido um vídeo que contava a história da CUT e trazia imagens do presidente, então líder sindical e um dos responsáveis pela criação da central.ArtistasNão houve reação do público, colocado a quase 200 metros do palco principal. Reações entusiasmadas só ocorreram nas apresentações dos artistas, entre eles os cantores Leonardo, Alexandre Pires, o grupo Jota Quest, além do ministro da Cultura Gilberto Gil, que cantou ao lado de Djavan."Com os artistas, podemos falar para um público que não conhece os sindicatos", disse o secretário-geral da CUT, justificando o formato megashow adotado este ano pela CUT. Além dos shows, atores subiram no palco para fazer encenações teatrais sobre histórias dos trabalhadores.Nos bastidores, como era de se esperar, sobraram críticas à central rival, a Força Sindical, por causa dos sorteios de casas e carros na festa de 1.º de Maio. Dirceu aproveitou para ironizar a entidade comandada por Paulo Pereira da Silva. "A CUT mantém seu papel de defender o interesse dos trabalhadores, mas pelo que me lembro a Força Sindical tinha um comportamento bem oficialista na época de Fernando Henrique."SalárioA principal proposta apresentada pela CUT no evento foi a discussão do valor do salário mínimo ainda durante o debate sobre o Orçamento, no final do ano. "Espero que não repitamos o mesmo debate insano em torno do salário mínimo que fizemos neste ano, no ano passado, no governo FHC inteirinho e não saímos do lugar", cobrou Marinho.Segundo a programação dos organizadores, a festa na Paulista seguiria até o início da noite. Os gastos da CUT para o 1.º de Maio ficaram em torno de R$ 3,5 milhões - incluindo a realização de outros shows durante a semana-, grande parte bancada pela iniciativa privada. Foi o primeiro ano que a central aceitou patrocínio de empresas.

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