CUT faz abaixo-assinado em todo o País contra supersalários

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) organizou nesta segunda-feira, em todo o País, ato público para a coleta de assinaturas contra o aumento de 90,7% autoconcedido pelos deputados federais na semana passada. Na última sexta-feira, a entidade entrou com ação popular junto ao Tribunal Regional Federal (TRF) contra o aumento. Em cima de um carro de som, microfone nas mãos, o secretário de Imprensa da CUT do Distrito Federal, Cícero Rôla, pedia às pessoas que passavam pela rodoviária, na região central de Brasília, que parassem um minuto para deixarem suas assinaturas. Na última quinta-feira, um grupo de deputados e senadores fechou um acordo aumentando dobrando o salário parlamentar, que passará de R$ 12,8 mil para 24,5 mil, a partir do dia 1º de fevereiro, equiparando o salário parlamentar ao dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Também nesta terça-feira, a CUT fará um ato de protesto em frente ao Congresso Nacional. E nesta quarta-feira a manifestação será no aeroporto de Brasília, como uma forma de recepcionar os parlamentares recém-chegados de seus Estados. No ato de terça, os trabalhadores vão levar até o local uma garrafa de quatro metros de altura com óleo de peroba dentro. ?A idéia é construirmos uma garrafa de óleo de peroba bem grande, para que a gente possa, simbolicamente, evidentemente, esfregar na cara dos caras-de-pau que concederam esse reajuste?, explicou Cícero Rola. "Nenhum trabalhador brasileiro teve nesse período nenhum reajuste acima de 5%. Nós estamos lutando pelo aumento do salário mínimo para R$ 420, ou seja, aumentar 20% do salário mínimo?, disse Cícero. Para a CUT, o aumento dos parlamentares, no nível em que está, representará menos dinheiro para a educação, saúde e para um salário mínimo digno. Cinco mil assinaturas De acordo com o diretor da CUT-DF, Roberto Miguel, em apenas uma hora foram colhidas mais de cinco mil assinaturas somente em Brasília. O serralheiro José Silva, de 35 anos, um dos que firmaram o abaixo-assinado contra o reajuste de 90,7% para os parlamentares, considerou o aumento uma falta de respeito com o povo. ?Eu acho uma vergonha, uma falta de respeito com o povo brasileiro. Falta de vergonha mesmo. É um bom presente de Natal para eles?. Indignado, o auxiliar administrativo Wagner Ribeiro, de 41 anos, lembrou que, além dos salários, os deputados e senadores têm inúmeras regalias, como o auxílio combustível. "É complicado. O povo está vendendo o almoço para comprar a janta. E muitos deles eu acho que nem merecem salário porque são empresários, mas eles estão lutando para que aumente o salário, e os que dizem que não querem estão fazendo demagogia, porque no fundo todo mundo pega", afirmou Ribeiro. A dona de casa Tânia Maria Pereira, de 43 anos, mandou um recado aos parlamentares: "Para eles tomarem vergonha na cara, e ver que eles não são os donos do mundo. Eles estão lá graças à população aqui fora, a população que eles massacram, com a qual eles fazem o que bem querem. É isso que eu acho?. Enquanto isso, a doméstica Vanaide Amorim Lisboa, de 24 anos, com uma filha de menos de um ano de idade no colo, comparava seus salário de R$ 500 com os R$ 24 mil que querem ganhar os deputados e senadores. ?É muita diferença, né??, concluiu. O Partido Popular Socialista (PPS) protocolou nesta segunda-feira uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o aumento dos deputados. Segundo o documento do partido, a despesa extra com o aumento de salário do poder legislativo federal, estadual e municipal pode custar R$ 1,66 bilhão aos cofres públicos por ano. Os sindicatos filiados à central estão colhendo assinaturas nos locais de trabalho. Além disso, a central criou um e-mail para receber assinaturas: aumentoabusivo@cutsp.org.br. Com Carolina Ruhman

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.