Rafael Arbex/ Estadão
Rafael Arbex/ Estadão

CUT diz que parlamentares 'começaram a amarelar' sobre terceirização

Câmara limitou o texto do PL, impedindo a terceirização de atividades-fim em empresas estatais ou de capital misto

ANA FERNANDES, O Estado de S. Paulo

15 Abril 2015 | 16h47

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, disse nesta quarta-feira, 15, que as movimentações recentes no Congresso Nacional mostram que os parlamentares dão sinais de que vão recuar na tramitação do projeto de lei 4330, que regulamenta a terceirização. "Eles começaram a amarelar", disse Freitas. "Estamos com paralisações aqui em São Paulo, na Bahia, em Pernambuco e eles sabem que podemos fazer muito mais", disse ao chegar à manifestação organizada pela CUT e outras centrais em frente ao prédio da FIESP, na Avenida Paulista, em São Paulo.

Nesta quarta, 15, a Câmara limitou o texto do PL, impedindo a terceirização de atividades-fim (grande ponto de discórdia) em empresas estatais ou de capital misto, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Algumas centenas de manifestantes se concentram na calçada. Há dois caminhões de som estacionados. Um grupo chegou gritando palavras de ordem, como "trabalhador em união, diga não à terceirização".

Há cartazes contra o deputado Paulinho, do Solidariedade. Manifestantes ligados à Central Única dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) acusam o parlamentar de ter começado a carreira política ao lado dos trabalhadores e de hoje virar-lhes as costas. "Ele foi um dos principais mentores e articuladores no Congresso pela aprovação do projeto. Uma pena, mas a máscara vai caindo. Ele deve ter tido dinheiro dos patrões na campanha e eles estão agora mandando a fatura", disse à reportagem Marcelo Toledo, militante da CTB que carregava uma das placas com dizeres "Paulinho: solidariedade só se for aos patrões" e a foto do deputado.

Os sindicalistas acusam o projeto de beneficiar patrões, precarizar condições de trabalho e de tentar enfraquecer os sindicatos.

Militantes da CTB consultados pela reportagem disseram receber uma ajuda de custo de R$25 a R$30 para estarem na manifestação. Já os militantes da CUT disseram não ter recebido qualquer ajuda financeira.

Os militantes pretendem ficar na Paulista até a noite, quando uma manifestação organizada pelo MTST deve ir ao encontro deles e engrossar o protesto contra o PL 4330 e contra pautas "conservadoras" como a redução da maioridade penal. O MTST espera reunir 30 mil pessoas na manifestação de que, que vai sair no fim da tarde do Largo da Batata, na zona oeste, em caminhada até a Paulista.

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