CUT deve aprovar hoje a necessidade da reforma da Previdência

Os integrantes da maior central sindical do País, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), devem aprovar ainda hoje, durante o 8º Congresso Nacional da entidade, no Anhembi, em São Paulo, a necessidade da realização da reforma da Previdência, apesar de o assunto provocar divergências dentro da central sindical. A necessidade de outras reformas, como a tributária, a agrária e a trabalhista, também devem ser discutidas hoje. Integrantes da corrente Movimento Por uma Tendência Socialista (MTS), composta por representantes do PSTU, são contrários à realização da reforma da Previdência. Eles prometem que, mesmo após a aprovação do texto sobre o assunto no evento da CUT, vão organizar uma série de manifestações de maneira a mostrar descontentamento com o projeto do governo. Segundo um dos integrantes da MTS, Dirceu Travesso, o Didi, a reforma da Previdência do governo Lula "apenas retira direitos dos trabalhadores". "A aprovação hoje no Congresso da CUT é inevitável. Mas nós vamos nos mobilizar e mostrar que estamos descontentes", afirmou. De acordo com Didi, não são apenas os funcionários públicos que integram a CUT que estão contrários à reforma da Previdência. "Há várias outras categorias que também estão descontentes", afirmou ele, que é bancário. "Cutistas da iniciativa privada também não estão de acordo com essa reforma que o governo quer fazer", acrescentou. Para o integrante da MTS, a reforma da Previdência proposta pelo governo Lula é "lógica de caixa e neoliberal até a medula".O provável futuro presidente da CUT, Luiz Marinho, descartou a possibilidade de a central sindical vir a rachar por causa das discussões e divergências em torno da reforma previdenciária. Segundo ele, a CUT continua a ser independente e tem o papel de apoiar e de ser contra projetos do governo. "Nosso papel é o de defender interesses da classe trabalhadora", afirmou, acrescentando que a aprovação do tema hoje no Congresso da entidade não significa que a central concorda com todos os pontos da reforma proposta pela União. "Achamos que temos de aprovar a resolução que trata da reforma e, depois, nos mobilizarmos com a sociedade para tentar mudar alguns aspectos", afirmou, citando como exemplo a cobrança dos inativos e o teto. Marinho, porém, reconheceu que a mudança de pontos da reforma da Previdência vai exigir forte mobilização da sociedade. "Eu não tenho a ilusão que nós vamos conseguir dobrar o governo sem que haja mobilização", afirmou. A eleição do futuro presidente da CUT, em substituição a João Felício, está prevista para ocorrer amanhã, durante encerramento do evento.

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