CUT condena elevação de idade para aposentadoria

A cláusula da reforma da Previdência que eleva a idade mínima para aposentadoria de servidores públicos de forma linear é "punitiva e perversa", avaliou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício. "Como é que se explica para o funcionário público que ele vai ter que trabalhar mais para se aposentar com o seu salário integral? Porque quem quiser se aposentar com as regras atuais um dia após promulgada a reforma da Previdência perderá 35% dos seus rendimentos", argumentou.O líder sindical disse também que é um equívoco pensar que a maioria dos servidores se aposentam com a integralidade dos seus salários. "Nos Estados e municípios, os servidores recebem gratificações e abonos que não são incorporados aos salários e, quando se aposentam, perdem de 25% a 30% dos seus rendimentos. Além disso terão de sofrer mais essa perda por causa da idade mínima?", questionou, para complementar que a maioria dos trabalhadores recebe de um salário mínimo (R$ 240,00) a R$ 1 mil. "Isso é um confisco absurdo", opinou.Felício defende a inclusão na reforma de um sistema de transição para a questão da idade mínima. Por princípio, porém, ele não vê a adoção do fator previdenciário como uma opção, já que a CUT historicamente se posicionou contra esse mecanismo. "Se é para equiparar setor público e privado, temos de ser iguais em tudo porque o funcionalismo não possui FGTS e nem data-base", defendeu. O líder sindical disse que Central participará do debate sobre as reformas enviando propostas e mobilizando parlamentares para modificar a legislação. Ele enfatizou, no entanto, que o grau de participação entre os trabalhadores da CUT é alto e, campanhas como as de hoje e amanhã em que parte dos servidores interromperam suas atividades em protesto à reforma, continuarão durante o debate da nova lei no Congresso. "Vamos defender essa posição amanhã no lançamento da campanha salarial unificada", disse, referindo-se à mobilização que a Central realizará amanhã na Avenida Paulista, em São Paulo, em que são esperados 5 mil manifestantes.

Agencia Estado,

14 de maio de 2003 | 12h18

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