Custo declarado de eleição está mais próximo do real

Se por um lado as prestações de contas perderam transparência com o avanço das doações ocultas, por outro o eleitor brasileiro tem hoje uma idéia mais precisa do real custo das campanhas. Apesar de não significar que o caixa 2 tenha deixado de existir, a análise das prestações de contas da eleição em São Paulo sugere que ele ao menos encolheu.Em 2004, antes do escândalo do mensalão, as quatro maiores campanhas da eleição paulistana declararam uma receita combinada de R$ 31,8 milhões à Justiça Eleitoral, consideradas prestações de contas dos candidatos e dos comitês financeiros únicos ou para prefeito montados por seus respectivos partidos. Neste ano, esse valor mais que dobrou, chegando a R$ 81 milhões. O número não significa que as campanhas tenham ficado mais caras. Em algumas áreas, o custo pode até ter diminuído, já que, em 2004, a lei permitia a realização de showmícios e a distribuição de brindes. Hoje as regras também são mais rígidas em relação ao uso de materiais impressos, como faixas e cartazes. Reservadamente, dirigentes dos principais partidos brasileiros admitem que, desde a crise política de 2005, a fiscalização por parte da Justiça Eleitoral aumentou. Na última eleição, até pequenos eventos de arrecadação organizados por candidatos corriam o risco de receber a visita de um fiscal do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Nem churrascos e feijoadas de candidatos a vereador escaparam, segundo eles próprios.

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