Currículo de indicados ao Turismo emperra negociação com Planalto

Nomes apontados pelo PMDB como possíveis ocupantes da vaga não conseguem convencer presidente e assessores

Vannildo Mendes e Christiane Samarco, de O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2011 | 22h40

BRASÍLIA - A bolsa dos primeiros nomes analisados pelo PMDB para substituir Pedro Novais no Ministério do Turismo esbarrou na ficha dos principais candidatos, a começar pelo deputado Marcelo Castro (PI), o preferido do partido. Dois outros ministeriáveis exibem restrições na vida pregressa, pois figuram como acusados de ligações com empreiteiras em operações da Polícia Federal. Um terceiro candidato foi deixado de lado por suposto envolvimento em homicídio num inquérito policial.

 

O mais enrolado é Castro. Citado na Operação Voucher, da Polícia Federal, como autor de emendas suspeitas para o turismo, ele também frequentou o noticiário do escândalo do Ministério dos Transportes, por ser irmão dos donos da construtora Jurema - alvo de pelo menos 15 investigações, entre auditorias do TCU (10), ações de improbidade do Ministério Público (3) e inquéritos da PF (2).

 

Só o TCU relaciona dez obras da Jurema com problemas de 2003 a maio de 2011, quando os dois ministérios entraram na mira da faxina determinada pela presidente Dilma Rousseff. Essas obras incluem desde recuperação da BR-343, até saneamento básico de Teresina e implantação da adutora do Sudeste do Piauí. Juntas, elas somam mais de R$ 100 milhões e os recursos desviados podem passar de R$ 20 milhões. Só no Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit), onde a Jurema dava as cartas no Piauí nos últimos anos, as obras somaram mais de E$ 55,5 milhões, de janeiro de 2009 a junho último.

 

No período, mesmo sendo alvo de investigações, a empresa tornou-se a segunda maior tocadora de obras rodoviárias no Estado, só ficando atrás da Construtora Delta (R$ 112,9 milhões).

 

Em família. Diante das evidências de ilegalidades, que incluem fraude licitatória, sobrepreço e cobrança de serviços não realizados, o MP pediu à justiça a indisponibilidade dos bens de servidores públicos, empresários e dirigentes, entre os quais os diretores da Jurema, Humberto e João Costa e Castro, irmãos do deputado. Castro é o responsável pela indicação do superintendente do Dnit no Piauí, Sebastião Ribeiro, seu cunhado.

 

Poderoso na estrutura partidária, Castro emplacou também a engenheira civil Thame de Castro Ribeiro na Coordenação-Geral de Custos do Dnit, em pleno furacão que varria o órgão e a poucos dias da queda do ministro Alfredo Nascimento. Thame é filha do superintendente Sebastião Ribeiro e sobrinha do próprio deputado. Ela teria pedido demissão no último dia 6, mas o ato ainda não foi publicado no Diário Oficial da União.

 

Castro negou ter praticado tráfico de influência e defendeu os irmãos e a construtora. "A empresa atua no ramo há 30 anos e até hoje não sofreu sequer uma condenação." Disse também que, se convidado, não se sentirá constrangido em assumir o ministério,"Só me sentiria constrangido se as acusações fossem verdadeiras."

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