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Curinga, Bernardo pode assumir Comunicações

Atual titular do Planejamento já foi cotado para Casa Civil e Previdência; Dilma definiu que quer técnico na pasta para administrar crise dos Correios

Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo,

26 de novembro de 2010 | 23h31

BRASÍLIA - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, pode assumir a pasta de Comunicações, que será turbinada no governo de Dilma Rousseff. A presidente eleita quer um "gerentão" no ministério, hoje nas mãos do PMDB, e já planeja pôr Bernardo nessa cadeira, que trata das concessões de rádio e TV, abriga o Plano Nacional de Banda Larga e vai cuidar da nova lei de comunicação eletrônica.

 

O destino de Bernardo, porém, ainda depende de uma negociação com o PMDB, que hoje comanda Comunicações. O partido do vice-presidente eleito, Michel Temer (SP), aceita abrir mão dessa vaga, mas impõe uma condição: quer retomar o Ministério dos Transportes.

 

O problema é que Transportes está sob domínio do PR do senador Alfredo Nascimento (AM). Amigo de Dilma e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Nascimento era ministro antes de sair para concorrer ao governo do Amazonas. O PR reivindica a manutenção do assento.

 

Foi por essa intrincada operação partidária que a eleita pediu para Bernardo ficar de sobreaviso. Na quarta-feira, Dilma chegou a dizer que ele poderá assumir Previdência Social - pasta para a qual também quer um gerente -, caso não consiga conciliar os interesses do PMDB e do PR.

 

Na prática, Bernardo virou o curinga da Esplanada, papel antes protagonizado pelo deputado Antonio Palocci (PT-SP), coordenador da equipe de transição. Ex-ministro da Fazenda, Palocci foi cotado para assumir vários ministérios - incluindo Comunicações -, mas acabou sendo escolhido para a Casa Civil.

 

Palocci indicou Bernardo para Comunicações. A ideia é que o ministério tenha até mesmo assento nas reuniões semanais da coordenação de governo. Dilma planeja fortalecer a pasta, que tem vários problemas a resolver: o principal deles é a crise nos Correios. Desde setembro, quando estourou o escândalo envolvendo dirigentes da companhia e a então ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, Bernardo atua como uma espécie de interventor na estatal, a pedido de Lula. No mês passado, o ministro fez um diagnóstico dos problemas nos Correios e o entregou ao presidente. Recomendou a redução do loteamento político.

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