Cúpula pede mais Estado na economia

Mas líderes ressaltam diferenças do ?progressismo? que defendem do ?populismo? existente em países do continente

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

Intelectuais e integrantes de governos que se definem como representantes da "centro-esquerda" ou "progressistas" fizeram um apelo ontem para que a economia em todo o mundo conte com maior presença do Estado. Só dessa forma, afirmam, será possível acelerar o fim da atual crise econômica internacional, além de evitar que surjam novas turbulências a curto prazo. "O paradigma neoliberal está em seu final... e durou muito tempo", sustentou, categórica, Carolina Toha, ministra e porta-voz da presidente Michelle Bachelet (anfitriã da cúpula), na abertura do seminário Resposta a uma crise global: na direção de um futuro progressista. Mas Carolina deixou claro que a nova tendência progressista - em alta graças à crise - não deve aproximar-se das "tentações" populistas, o que foi interpretado pelos analistas presentes como um afastamento de governos como o do presidente venezuelano Hugo Chávez. "O progressismo é para impedir a destruição de empregos, descobrir respostas para os problemas econômicos e impedir o avanço do protecionismo comercial", disse Carolina. Em sintonia, o britânico Giles Radice, membro da Câmara dos Lordes, afirmou que "os eventos dos últimos dois anos mostram o perigo dos mercados sem regulações". Segundo ele, é preciso reconstruir o sistema financeiro, tanto nas esferas nacionais como internacional. "E precisamos fugir do protecionismo para o comércio global."O encontro progressista, realizado no balneário de Viña del Mar, é promovido pelo think tank britânico Policy Network, o chileno Instituto Igualdad e o governo da socialista Michelle Bachelet. Os participantes discutiram a atual crise econômica, o novo papel do Estado e a mudança climática. Diversos líderes insistiram em diferenciar o "progressismo" que defendem do "populismo" existente em vários países da região. Mas o assessor para Assuntos Internacionais Marco Aurélio Garcia, que participou das conferências de ontem, fez questão de diferenciar o populismo que existiu na Europa nas primeiras décadas do século 20 do populismo da América Latina. "Na Europa era uma tendência de direita, autoritária. Mas aqui, na região, muitos governos populistas tiveram características integracionistas, tais como o caso dos presidentes Juan Domingo Perón, da Argentina, ou Ibáñez, do Chile." Hoje a reunião passará à esfera governamental, já que se reunirão o vice-presidente dos EUA, Joseph Biden; o primeiro-ministro britânico Gordon Brown; o primeiro-ministro espanhol José Luis Zapatero, além da presidente argentina Cristina Kirchner, do uruguaio Tabaré Vázquez, entre outros. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participa da abertura dos debates, desembarcou ontem no Chile. Ele retorna ao Brasil hoje à tarde, após o almoço oferecido por Michele Bachelet.SEGURANÇAO esquema de segurança tem magnitude similar ao realizado em 2004, quando o Chile foi o país anfitrião da cúpula da associação dos países da bacia do Pacífico, a Apec. O atual esquema conta com 3 mil carabineros, a polícia chilena em Viña del Mar. Além disso, um contingente da Marinha vigiará o litoral nos arredores do hotel Sheraton Miramar, onde está sendo realizada a cúpula.

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