Cúpula intervém para conter dissidência tucana na Câmara

Grupo de deputados que não aceita recondução de Aníbal na liderança [br]do PSDB se rebela e pretende começar rodízio de líderes informais

Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

06 de fevereiro de 2009 | 00h00

A crise interna no PSDB mobilizou ontem a Executiva Nacional do partido, que desencadeou uma operação para desfazer o impasse que ameaça a unidade da legenda. "Estou falando com deputados de várias facções, ouvindo todo mundo. Estamos empenhados em acalmar a situação. Vamos deixar isso para semana que vem", afirmou ontem o presidente nacional da legenda, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE). Um grupo de 19 deputados tucanos formou uma dissidência à liderança do deputado José Aníbal (SP), reeleito na quarta-feira com 36 votos, e promete adotar postura de independência, não seguindo a orientação do líder na Câmara.No site oficial do PSDB nem uma palavra sobre a briga. "Para nós, essa história é página virada", disse Aníbal, ao lembrar que sua reeleição teve o apoio de dois terços da bancada. Ele contou ter recebido telefonemas de parabéns pela recondução dos governadores de Minas, Aécio Neves, e do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius. Afirmou que tentou falar com o governador de São Paulo, José Serra, que está no exterior, mas não conseguiu.Os dissidentes resolveram se rebelar contra a liderança e pretendem começar, já na próxima semana, um rodízio na liderança do grupo informal. Três deputados ficarão na coordenação: Vanderlei Macris (SP), Leonardo Vilela (GO) e João Almeida (BA). "É um grupo à parte dentro da bancada do PSDB na Câmara", explicou o deputado Paulo Renato Souza (SP), que desistiu de disputar a liderança, depois que a maioria do partido aprovou a reeleição consecutiva no cargo de líder. ?ATROPELO?A primeira reunião para definir os próximos passos do Movimento Unidade, Democracia e Ética será na terça-feira. "Fomos atropelados por uma decisão da maioria, mas que não respeitou as regras", alegou Paulo Renato, apoiado por Serra.Ligado ao ex-governador Geraldo Alckmin, atual secretário de Desenvolvimento de Serra, o deputado Edson Aparecido (SP) defendeu ontem o consenso entre as alas do partido. "Não assinei o documento de dissidência, mas discordei da reeleição do Aníbal", disse Aparecido, que chegou a pedir ao líder que retirasse sua candidatura. Segundo Aparecido, Serra observou que "não é hora de disputa" no partido. Ele garantiu, porém, que Serra não se intrometeu na escolha do líder.A evidência de que o partido se encontra de novo diante do confronto emanado da cúpula é a lista dos deputados dissidentes, que subscreveram a dura nota em que o grupo declara que não seguirá as orientações do líder. Ela é composta por deputados conhecidos por seus vínculos históricos com Serra. É o caso dos paulistas Arnaldo Madeira, Antonio Carlos Pannunzio, Walter Feldman, Mendes Thame e Paulo Renato Souza, que se reconciliou com o governador recentemente, dos baianos Juthay Junior e João Almeida, do capixaba Luiz Paulo Vellozo Lucas e do paranaense Gustavo Fruet. Em contrapartida, a bancada mineira votou fechada para aprovar a mudança da regra que impedia a reeleição. Aécio entrou em campo e virou o jogo a favor de Aníbal, ampliando a votação de 34 para 37 votos, de um total de 58. Isto sem contar as adesões de outros Estados. FRASESSérgio GuerraPresidente do PSDB"Estamos empenhados em acalmar a situação"José AníbalLíder do PSDB na Câmara"Essa história é página virada"Paulo RenatoDeputado (PSDB-SP)"Fomos atropelados por uma decisão da maioria, mas que não respeitou as regras"

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