Cúpula ibero-americana reúne 21 chefes de Estado

Duas semanas depois de a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) ter divulgado em Santiago do Chile números preocupantes sobre a pobreza na América Latina - onde 44% da população serão afetados por esse mazela social até o final do ano, dos quais ainda 20% estarão entrando na indigência -, 21 presidentes e chefes de Estado e de governo ibero-americanos vão se reunir na República Dominicana para discutir ?Turismo e Meio Ambiente?, tema do encontro disposto pelo país-sede, que começa nesta sexta-feira.Os efeitos da globalização, que não está reduzida apenas aos mercados financeiros, devem transformar-se no assunto central dos debates. O presidente Fernando Henrique Cardoso, que participará do evento, deve dizer em seu discurso que a cooperação internacional no plano econômico está longe de responder adequadamente às necessidades de desenvolvimento e de ação conjunta para a redução da pobreza. ?Os países da América Latina têm enfrentado, em maior ou menor medida, dificuldades decorrentes de um cenário econômico internacional pouco favorável?, diz a primeira versão do discurso do presidente.O texto do discurso de FHC afirma também que as moedas dos países da região têm sido vítimas dos caprichos e incertezas de um mercado internacional que está longe de ser um exemplo de racionalidade econômica. ?Esses mesmos países vêem limitadas suas oportunidades no campo comercial, deparando com barreiras injustas e com distorções que não fazem senão favorecer a nações mais afluentes, como se vê no caso dos subsídios agrícolas?, critica FHC no discurso.PolêmicaApesar dos problemas internos que enfrenta e das duras críticas externas sobre suas costas, o presidente venezuelano Hugo Chávez deve transformar-se mais uma vez no centro das atenções dessa 12ª Cúpula Ibero-americana. Chávez chegará ao encontro com um duríssimo discurso pedindo uma revisão e um novo direcionamento para reuniões desse tipo.Para o polêmico presidente, que já viveu na pele um golpe de Estado, porém fracassado, a dinâmica desses encontros precisa ser reestruturada e relançada para que atenda aos interesses dos povos. ?Os chefes de Estado não podem continuar a desempenhar um papel de ilustres convidados de pedra nas grandes reuniões internacionais?, diz o texto do discurso do presidente da Venezuela.Chávez dirá ainda que não é possível aceitar um mundo conduzido e dirigido por tecnocratas e muito menos aceitar a imagem de um mundo onde os chefes de Estado, representantes de milhões de pessoas, ficam subordinados aos dizeres da tecnocracia. ?Para que viemos (os chefes de Estado) se o que propomos não têm nenhum resultado real??, perguntará Chávez aos outros presidentes. ?Andamos de cúpula em cúpula, e os povos de abismo em abismo.?Para o presidente venezuelano, reuniões de cúpula precisam ir além da retórica, das formalidades e dos rituais. Há pouco mais de seis meses, Chávez fez as mesmas declarações, porém via imprensa, durante a reunião de presidentes, chefes de Estado e de governo dos países da União Européia e da América Latina, em Madri. Na ocasião, o primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar, também anfitrião do encontro, respondeu que, em vez de ficar criticando, ?Chávez deveria comparecer às reuniões e não ficar passeando?.ColômbiaDepois de citar alguns números impressionantes sobre os efeitos da guerrilha e do tráfico de drogas, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, cobrará dos presidentes e chefes de Estado ibero-americanos maior participação no combate ao grave problema que o país enfrenta há algumas décadas. ?O problema colombiano é um risco para a estabilidade democrática da região?, afirmará Uribe durante seu discurso.Segundo o texto de Uribe, a Colômbia precisa de ajuda do mundo para derrotar o terror e a arrogância dos violentos. ?Eliminar as fontes de financiamento do terrorismo é imperativo. Mas, para isso, temos de vencer a droga e o seqüestro?, dirá o presidente colombiano. ?As Nações Unidas estão preocupadas com as armas de destruição de massa e os colombianos compartilham com essa angústia, mas precisam entender que a droga também tem capacidade de destruição de massa, como a mais temível das armas químicas."Uribe afirmará ainda que a Colômbia tem a determinação de eliminá-la, porém pedirá compromisso igual do mundo. ?Não podemos continuar com decisões e ações tímidas. Enquanto divagamos sobre o tema, o terrorismo produz mais droga e amplia o tráfico.? Finalmente, o presidente cobrará dos outros chefes de Estado e do mundo o cumprimento de uma resolução da ONU que ordena o confisco das contas bancárias, investimentos e bens dos que cometem atos de terrorismo. ?Essa resolução tem sido letra morta nos países onde circula o dinheiro que financia o terrorismo na Colômbia.?

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