Cúpula do PT discute com Lula espaço no governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu no início desta tarde no Planalto, com integrantes da Executiva Nacional do PT. Descontente com a possibilidade de ampliação do espaço do PMDB no governo, a cúpula do PT discute com Lula o relacionamento que o partido terá com o governo durante o segundo mandato. O PT detém o comando de 15 dos 34 ministérios. Na avaliação de dirigentes petistas, o PMDB deveria se contentar com os ministérios que comanda hoje: o da Saúde, o de Minas e Energia e o das Comunicações. Além da distribuição de cargos no Executivo, está em discussão também a liderança do governo no Senado. Na semana passada, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) disse que pedirá a Lula a "devolução" desse posto, agora ocupado pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR). A reunião desta quinta-feira com Lula foi solicitada pelo presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia. "Não vamos pedir cargos nem emprego para as pessoas, mas é evidente que, se todos os partidos estão se posicionando, o PT também precisa se posicionar", afirmou em entrevista ao Estado, Jilmar Tatto (SP), deputado federal eleito e um dos vice-presidentes da sigla. "Se o PT é o principal partido do País, tem o presidente e uma bancada forte na Câmara, é claro que tem de ser dado a ele um tratamento correto.""É mais do que legítimo que a direção do PT e as bancadas queiram ser prestigiadas, mas só o presidente Lula pode tomar a posição que melhor convier para garantir a governabilidade", amenizou ao Estado o senador Tião Viana (PT-AC), nome que o partido queria para líder.Garcia procurou pôr panos quentes nas divergências, alegando que picuinhas não serão discutidas na reunião. "O governo nunca esteve exposto a uma artilharia do PT, mas de alguns petistas", observou o presidente interino do partido, que também é assessor de Relações Internacionais do Planalto.Para Joaquim Soriano, secretário-geral-adjunto do PT, o mais importante é Lula dizer como será a composição do ministério. ´Minha expectativa é que o presidente conte qual será o método para montar a equipe´, afirmou o petista, ao defender a aliança com ´partidos nacionais´ e não com alas divididas.Inconformado com a cobrança da fatura, Soriano foi taxativo. ´Há os que já colheram muito, como o PMDB, e outros que nem deveriam estar nas negociações´, disse, numa referência aos envolvidos no escândalo do mensalão. ´É aceitável, por exemplo, sentar à mesa com o PTB de Roberto Jefferson?´, questionou. ´Ninguém no PT entende isso.´ParticipantesAlém dos ministros da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci, e das Relações Institucionais, Tarso Genro, participam o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, o deputado federal eleito e vice presidente do partido, Jilmar Tatto, o secretário geral adjunto do PT, Joaquim Soriano, a deputada Maria do Rosário (RS), o tesoureiro Paulo Ferreira, o secretário de Assuntos Internacionais do PT, Walter Pomar, a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti, e o deputado estadual de São Paulo, Renato Simões.Este texto foi alterado às 15h33 para acréscimo de informação

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