Cúpula do PSDB vai enfrentar bancada no Senado

Com apoio velado do presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente nacional do PSDB, deputado José Aníbal (SP), e o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (AM), decidiram enfrentar a bancada no Senado, que é contrária à expulsão dos senadores Álvaro e Osmar Dias (PR) do partido, e reafirmaram que a decisão de punir os dois parlamentares será aprovada na reunião da executiva nacional, na próxima terça-feira. Álvaro e Osmar Dias, que são irmãos, deverão sofrer um processo de expulsão por não terem retirado suas assinaturas do requerimento de CPI da Corrupção no Senado, bandeira dos partidos de esquerda no Congresso. Aníbal garantiu que tem o apoio de Fernando Henrique para punir os tucanos "rebeldes". "Pagamos muito caro pela entrada dos irmãos Dias no partido, porque, com o filiação dos deles, perdemos Euclides Scalco (que integra atualmente a coordenação da Câmara de Gestão da Crise Energética do governo)", disse Virgílio. "Então, não podemos admitir que eles façam oposição dentro do PSDB", completou.A declaração do líder do governo acabou reforçando os rumores no partido de que, por trás da articulação para afastar os tucanos, estaria o interesse de atrair Scalco novamente para a legenda, para disputar o governo do Paraná em 2002. Mas Aníbal e Virgílio negam que essa intenção seja a razão da briga com os irmãos Dias. "Não vai ficar no PSDB quem for infiel", garantiu Virgílio. "Se eles querem levar mais gente com eles para fora do PSDB, que façam isso", completou o líder tucano, referindo-se à ameaça da bancada paranaense na Câmara, de deixar a legenda em solidariedade aos Dias. A radicalização do discurso do comando tucano provocou uma rebelião na bancada do Senado. "Por diferentes motivos, já perdemos senadores - Paulo Hartung, Jefferson Péres, José Roberto Arruda - para outros partidos, por causa de situações de crise. Não podemos, agora, perder mais dois", disse um senador do PSDB contrário à expulsão.

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