Cúpula do PSDB quer evitar prévias nas eleições de 2010

Dirigentes tucanos afirmam que votação interna poderia ser inconveniente para a unidade partidária

Cida Fontes, da Agência Estado,

11 de dezembro de 2008 | 19h10

O PSDB quer evitar a realização de prévias para a escolha do candidato do partido à corrida presidencial de 2010, apesar de os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, terem assumido publicamente posição favorável. Em reuniões reservadas, os principais dirigentes tucanos comentam que as prévias, uma experiência inédita, poderia ser inconveniente para a unidade partidária, considerada necessária nas próximas eleições.  Veja também: Serra reforça liderança para 2010 e Dilma sobe, diz pesquisa 'Em 2010 não estou mais aqui', diz Serra, em ato falho Para Aécio, pesquisa não é tudo PSDB 'está longe' de decidir nome para 2010, diz Aécio O gesto de Aécio Neves, que se reuniu na quarta-feira separadamente com os presidentes do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), agradou à cúpula dos dois partidos. Há cerca de dois meses, líderes do PSDB se reuniram com o governador mineiro e o pressionaram. Cobraram uma definição e sua aproximação com o partido. Ao posar para fotos com senadores do PSDB como pré-candidato, o governador ganhou pontos internamente, até mesmo entre os aliados de Serra. "É muito importante que Aécio discuta sua candidatura no partido", afirmou um dos dirigentes do PSDB, acrescentando que será escolhido o melhor para vencer as eleições. "Não podemos subestimar a força de Aécio e entendemos que ele precisa ter tratamento igual dentro do PSDB. Se isso não acontecer, haverá desequilíbrio", comentou a mesma fonte. Alguns fatores teriam levado o governador a reagir agora, explicitando sua pré-candidatura: a última pesquisa DataFolha que apontou Serra como favorito em 2010 e a cobrança do eleitorado mineiro, que ainda o sonho de vê-lo candidato ao Planalto. Ao contrário do mineiro, Serra é excessivamente candidato, nas palavras de um senador. "Ele só pensa nisso", completou. Ontem, depois que Aécio deixou o Congresso, Serra fez o mesmo trajeto: conversou com Sérgio Guerra e com Rodrigo Maia para saber detalhes das reuniões dos dois com o governador de Minas. Os rumores de que Aécio Neves poderia disputar a presidência da República por outro partido, se fosse preterido pelo PSDB, causaram prejuízos internos ao governador. Soma-se a isso os acenos feitos em busca de alianças fora do PSDB, como o PMDB. Essa situação teria causado insegurança e, inclusive, afastado o governador de antigos e leais aliados. "Agora ele precisa reconstruir seu nome e se aproximar do partido", disse um senador do DEM. Em sua conversa com Aécio, Rodrigo Maia disse que a aliança é com o PSDB. Ou seja, o DEM vai acolher qualquer decisão do PSDB. Apesar da preferência da cúpula por Serra, até mesmo como retribuição ao apoio ao prefeito Gilberto Kassab, o deputado ressaltou que o governador mineiro tem também apoio de setores do DEM, além da bancada mineira do partido.  "Não temos objeção a nome nenhum. O importante é ter unidade e não criar obstáculos para a vitória do projeto eleitoral e político da nossa aliança", disse Maia. Ele entende que, antes de definir o nome do candidato ao Planalto, os dois partidos e o PPS precisam iniciar no ano que vem a primeira etapa: iniciar as costuras para as eleições para os governos estaduais e consolidar regionalmente a aliança de 2010.

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