Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Cúpula do PSDB paulista age para acabar com 'guerra' entre tucanos na capital

Disputa pela indicação do candidato a prefeito em 2016 motiva racha entre grupos e, para esfriar ânimos, dirigentes estaduais ampliam leque de nomes para a disputa municipal

Pedro Venceslau e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

08 de junho de 2015 | 17h06

Atualizado às 23h19

São Paulo - A menos de uma semana para a convenção que definirá a nova composição do diretório estadual do PSDB em São Paulo, o partido ainda não conseguiu pacificar os grupos que travam uma disputa acirrada pelo comando da legenda na capital. O impasse se arrasta desde o fim de maio e descambou para um bate-boca público entre integrantes de dois grupos. Preocupada com o embate, a cúpula tucana paulista decidiu intervir.

A divisão ficou evidente na convenção do PSDB paulistano realizada na semana retrasada. De um lado está o vereador Mario Covas Neto, que foi eleito presidente do diretório; do outro, o ex-presidente Milton Flávio, aliado do suplente de senador José Aníbal, que controlava politicamente o partido na cidade. 

Faltando um ano e quatro meses para os pleitos municipais do ano que vem, a discussão sobre quem será o candidato do PSDB à Prefeitura foi o estopim do racha. Zuzinha, como é conhecido o vereador e filho do ex-governador Mario Covas, passou a ser alvo de outros líderes tucanos depois de apoiar a pré-candidatura a prefeito do também vereador Andrea Matarazzo. 

O gesto gerou descontentamento entre aliados de Aníbal e dos deputados federais Bruno Covas e Ricardo Tripoli, todos virtuais pré-candidatos em 2016. Depois de uma “prévia” em um hotel na capital, os adversários de Zuzinha escolheram Fábio Lepique, diretor de gestão da Companhia Paulista de Obras e Serviços e ex-coordenador de campanha do governador Geraldo Alckmin, como candidato do grupo no diretório. 

Apesar de derrotado, correligionários de Aníbal, Bruno Covas e Tripoli tentaram impor a Zuzinha a indicação dos cargos da executiva em uma reunião tensa na terça-feira da semana passada. Acuado, Covas Neto encerrou a reunião e remarcou para dois dias depois, em pleno feriado. No segundo encontro, ratificou sua executiva. 

“A segunda reunião do Zuzinha foi ilegal. Ele tem uma postura imperial”, afirmou Aníbal. “Elegemos uma executiva plural, que atende a todos os segmentos do partido. Não há o que se questionar, seja do ponto de vista jurídico ou político”, reagiu Covas Neto. 

Diante do impasse, as duas facções se apresentaram ao diretório estadual como vencedoras. A cúpula do partido, então, passou a ser pressionada a chancelar uma das chapas em uma reunião que entrou pela noite de ontem e até a conclusão desta edição não havia terminado.

Renovação. O acirramento da divisão preocupa a cúpula tucana no Estado, que planeja lançar um nome “novo” na campanha pela Prefeitura no ano que vem. Desde a fundação do partido, só Alckmin e o hoje senador José Serra disputaram o cargo. Matarazzo conta com o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do ex-governador Alberto Goldman, de Serra e do também senador Aloysio Nunes, que garantem não terem a intenção de entrar na disputa. Falta a Matarazzo, porém, o principal: a chancela do atual governador. 

Preocupados com os reflexos da disputa fratricida, a cúpula tucana paulista e pessoas próximas a Alckmin já falam em alternativas para a candidatura municipal, como o secretário estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, e o empresário João Doria, presidente do Grupo de Líderes Empresariais. 

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