Cúpula do PSDB minimiza queda de Geddel e reafirma apoio a Temer

Ao chegarem ao evento realizado pelo partido na Câmara dos Deputados, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ressaltaram que a saída de Geddel é uma prerrogativa do presidente Michel Temer e que o momento é de se focar na atual crise econômica e não 'nas pequenas coisas'

Erich Decat e Indiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2016 | 12h18


Brasília- Integrantes da cúpula do PSDB minimizaram nesta sexta-feira, 25, a atual crise política que atingiu o Palácio do Planalto e culminou na queda do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieria Lima.

Ao chegarem ao evento realizado pelo partido na Câmara dos Deputados, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ressaltaram que a saída de Geddel é uma prerrogativa do presidente Michel Temer e que o momento é de se focar na atual crise econômica e não "nas pequenas coisas".

"Os ministros caem e outros vem. O importante é não perder o rumo. Diante da circunstância brasileira, depois do impeachment precisamos atravessar o rio. Isso é uma ponte, pode ser uma frágil, uma pinguela, mas é o que tem. Se você não tiver a ponte, você cai no rio" ressaltou FHC. Ao falar da atual crise política, o ex-presidente focou suas críticas às gestões anteriores do PT na área econômica.

"O Brasil precisa com urgência tomar medidas de reforma. A situação fiscal nossa é muito ruim. A situação econômica precisa ser reanimada. O desastre produzido pelos últimos governo do PT foi inacreditável. Precisamos ter rumo e pensar mais no pais do que nas pequenas coisas", considerou o ex-presidente.

O governador Geraldo Alckmin adotou o mesmo tom utilizado pelos demais integrantes da cúpula do PSDB. "Essa é uma decisão do presidente da República. Ministro é cargo de confiança do presidentes e a substituição de cargo de confiança é normal. Mas isso é um tema federal", respondeu.

Questionado se o PSDB manterá o mesmo apoio ao governo Temer, Alckmin ressaltou: "O governo conta com apoio em todas as medidas de interesse do povo brasileiro. Agora é avançar nas reformas. Agenda brasileira está repleta de urgências".

Presente no evento, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, evitou a imprensa e não quis opinar sobre a saída de Geddel Vieira Lima. "Não vou dar declarações", afirmou o ministro para depois ficar em silêncio a cada questão colocada pelos jornalistas.

O estouro da crise, que ocasionou na queda de Geddel, ocorreu após vir a público trecho do depoimento, realizado à Polícia Federal, em que ex-ministro da Cultura Marcelo afirma ter recebido pressão do presidente Temer para liberar um empreendimento imobiliário em Salvador. Calero disse aos investigadores ter gravado conversas sobre o assunto. Foram alvo do "grampo" além do presidente e de Geddel, o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

No depoimento à PF, Calero narrou ter recebido pressão de vários ministros para que convencesse o Instituto do Patrimônio Histório Nacional (Iphan) a voltar atrás na decisão de barrar o empreendimento La Vue, onde Geddel diz ter adquirido um apartamento, nos arredores de uma área tombada de Salvador. 

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