Cúpula do PSDB desiste da idéia das prévias

A primeira reunião da cúpula do PSDB para discutir as eleições gerais de 2002 produziu pelo menos uma tese de consenso entre a maioria dos presidenciáveis do partido. Reunidos ontem na capital paraense, ministros, governadores e líderes tucanos apontaram a inconveniência da realização de prévias partidárias para escolher o candidato do PSDB ainda este ano. Ontem, quem levantou a idéia das prévias, antes defendidas pelo ex-governador de São Paulo Mário Covas, foi o governador de Mato Grosso, Dante de Oliveira. Em recente conversa com o presidente Fernando Henrique Cardoso, Dante admitiu a possibilidade de participar da corrida sucessória e sugeriu que o partido entrasse em 2002 com o nome do candidato escolhido. Mas tanto o governador paulista Geraldo Alckmin, quanto os ministros José Serra (Saúde), Paulo Renato (Educação) e Pimenta da Veiga (Comunicações), todos pré-candidatos tucanos ao Planalto, recomendam adiar a definição dos nomes para o ano que vem. "Primeiro tem que definir o programa do partido", pregaram uníssonos os ministros tucanos presentes à reunião. "Prévias para quê?", desdenhou Serra, ao salientar que sua preocupação, agora, é "governar bem a saúde para ajudar o presidente Fernando Henrique". O presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), disse claramente que o partido não tem "o menor interesse" em antecipar o debate de nomes. Os ministros e líderes governistas demonstraram maior preocupação com o tema.Cauteloso, o governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira, ponderou que a única certeza que se tem hoje é a de que vai haver segundo turno na disputa pelo Planalto e uma das vagas será da oposição. "Nosso desafio é ir para o segundo turno e forçar um nome agora pode complicar a construção de alianças mais à frente", ponderou. "As prévias podem provocar feridas mais difíceis de cicatrizar", concordou o ex-governador do Rio de Janeiro Marcelo Alencar, ao salientar que o partido já enfrenta divisões internas e não pode entrar rachado na corrida presidencial. O ministro da Justiça, José Gregori, também foi contra. Ele sugere que governadores e prefeitos tucanos aproveitem os próximos 12 meses para dar uma arrancada nos projetos de governo e consolidar o sucesso administrativo dos executivos do PSDB. "A bandeira do partido para os próximos anos tem que ser a da integração social, com foco na educação", defendeu Paulo Renato. O temor geral do alto tucanato é o de que a discussão em torno de candidaturas provoque fissuras internas e dificulte ainda mais a vida do presidente Fernando Henrique, que já enfrenta brigas e rachas em sua base aliada no Congresso. "Até o PT está fugindo deste debate", ponderou o líder do PSDB no Senado, Sérgio Machado (CE). Mas antes mesmo de a reunião começar, o secretário-geral da Presidência e coordenador político do Planalto, Aloysio Nunes Ferreira, já havia apontado a maior serventia do encontro: dar início às conversas dos tucanos sobre sucessão. "Estávamos todos calados e não podíamos entrar em um jogo tão importante, quanto 2002, sem treino", argumentou Aloyzio. "É cedo para algumas definições, mas está na hora de começar a confrontar idéias e de pensar na escalação do time".

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