Cúpula do PR articula para se afastar de Cunha

Lideranças da sigla se reúnem nesta terça e pretendem reposicionar a bancada na Câmara para ficar mais alinhada ao Planalto

Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2014 | 18h46

Brasília - Em troca da participação no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), a cúpula do PR desencadeou uma articulação para realinhar a bancada do partido na Câmara ao Palácio do Planalto e distanciar os deputados do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ).

Liderados pelo deputado Bernardo Vasconcellos (MG), os deputados atuaram neste ano ao lado de Cunha e votaram em diversas ocasiões com o "blocão" montado pelo peemedebista, que é desafeto do Planalto desde que impôs duras derrotas ao governo. Vasconcellos trabalha para que os deputados do PR apoiem Cunha na eleição para a Mesa Diretora no ano que vem.

Vasconcellos, no entanto, não disputou a reeleição neste ano e os dirigentes nacionais do PR querem substituí-lo por um nome mais afinado com o Planalto. Nesta terça, em jantar com os atuais parlamentares e os candidatos eleitos, a cúpula do PR vai iniciar as conversas para reposicionar a bancada da Câmara.

"Percebo que a presidente pretende ajudar e quer melhorar o diálogo", afirma o deputado Lincoln Portela (MG), um dos cotados para assumir a liderança da bancada no ano que vem.

Em troca do desembarque do projeto de Cunha, o PR pressiona para manter o espaço que detém atualmente na Esplanada dos Ministérios, principalmente o ministério dos Transportes. O mais cotado para assumir o posto é o secretário-geral do partido, o senador Antonio Carlos Rodrigues (SP).

Um dirigente ouvido pelo Broadcast Político avaliou que o clima na Câmara tende a ser pacificado se o PR confirmar seu espaço na administração federal. "Quando anunciar os ministérios acaba tudo. Alguém que tem posição vai querer nadar contra?", resume.

Além da participação no Executivo, outro fator abre brecha para o afastamento de Cunha. Com seis deputados eleitos, o PR do Rio de Janeiro é controlado pelo ex-governador Anthony Garotinho, inimigo declarado do peemedebista. Embora tenha perdido a disputa pelo Palácio Guanabara, ele ajudou a eleger sua filha, Clarissa, para a Câmara Federal.

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