Cúpula do PP quer limitar à executiva decisão sobre apoio a Dilma

Aliança com o PT sofre resistência em ao menos dois diretórios e legenda teme racha ao colocar tema em votação

RICARDO DELLA COLETTA E ERICH DECAT, Agência Estado

24 Junho 2014 | 13h53

Brasília - Para garantir a aliança com a presidente Dilma Rousseff sem explicitar o racha na legenda, a cúpula do Partido Progressista (PP) trabalha, na véspera da convenção prevista para o próxima segunda-feira, 30, com objetivo de levar a decisão sobre o apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff somente à Executiva Nacional. A manobra, no entanto, deverá ser questionada pelos dois principais diretórios rebeldes: Minas Gerais e Rio Grande do Sul. 

Ao Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado, o governador mineiro, Alberto Pinto Coelho (PP), informou que apresentará, junto com a senadora Ana Amélia (PP-RS), uma moção para ser inserida na cédula de votação a neutralidade do partido na disputa presidencial. Dessa forma, o tempo de rádio e TV seria dividido entre todos os candidatos, assim como foi feito na eleição de 2010. 

A restrição da decisão à Executiva Nacional, composta por cerca de 90 integrantes, é capitaneada pelo presidente da legenda, senador Ciro Nogueira (PI). Ao retirar a questão da votação ampla, com delegados de todos os Estados na convenção, a ideia é evitar que a ala rebelde consiga um placar que cause constrangimento à aliança nacional com o PT.

Desde a manhã desta terça-feira, Nogueira tem se reunido com integrantes do partido. Nos encontros, segundo interlocutores, tem dito que "não quer cometer o mesmo erro de outros partidos", numa referência à convenção nacional do PMDB, realizada no último dia 10 e em que 41% dos votos foram a favor do rompimento com a presidente Dilma na disputa eleitoral deste ano.  Na semana passada, o PTB mudou de lado e passou a apoiar a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Outros quatro partidos vão anunciar nos próximos dias a decisão sobre a aliança na disputa nacional.

Apesar de o PP comandar o Ministério das Cidades, há três teses que circulam dentro do partido: chancelar o acordo com os petistas já na convenção, declarar a neutralidade ou transferir a palavra final para a Executiva. "Em tese, vai ter a delegação para a executiva do partido, que já foi ouvida na sua maioria. Todos os parlamentares de todas as correntes estão ali representados", afirmou Ricardo Barros, integrante da executiva nacional do PP. 

Além de Alberto Pinto Coelho e Ana Amélia, lidera o grupo dissidente o senador Francisco Dornelles (PP-RJ). Os três estão fechados com o candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves. Além deles, os diretórios regionais de Alagoas, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro estão alinhados com candidatos de oposição, segundo Coelho. A expectativa desse grupo é empurrar o partido para a neutralidade ou impor uma votação apertada na convenção para escancarar a divisão interna e ao menos marcar posição. 

"Existe uma realidade partidária que mostra que o partido não caminha de maneira uníssona. Levaremos uma proposta concreta, alinhada com o Rio Grande do Sul, e contando com o apoio de outros Estados para encaminhar essa neutralidade e manter a unidade partidária", disse o governador de Minas. 

O principal argumento dos rebeldes é que apenas a neutralidade asseguraria a unidade partidária. Apesar de a tendência atual ser pela confirmação do apoio à reeleição de Dilma, o PP já aprovou a liberação dos diretórios estaduais, que podem costurar suas coligações locais de acordo com seus interesses. 

Mais conteúdo sobre:
eleições PP PT

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.