Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Cúpula do PMDB se reúne no Rio para 'afinar discurso'

Deputados federais visitam obras das Olimpíadas a convite de prefeito, em gesto para reforçar unidade do partido

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

10 de julho de 2015 | 09h05

RIO DE JANEIRO - Em meio à crise política e à pressão de lideranças para que o PMDB deixe a base do governo da presidente Dilma Rousseff (PT), a bancada de deputados federais da legenda passa, a partir da manhã desta sexta-feira (10), dois dias no Rio. Entre eles, está o presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Ciceroneados pelo prefeito Eduardo Paes, os políticos peemedebistas visitarão as obras do porto e o Parque Olímpico, cartões postais da administração municipal. À noite, o presidente em exercício, Michel Temer, que não participará da visita que ocorrerá ao longo do dia, e os deputados, comparecerão a um jantar na residência oficial do prefeito.

Se oficialmente a justificativa da visita é a apresentação do projeto olímpico, nos bastidores do partido vem sendo tratada como um encontro da bancada "fora do turbilhão de Brasília", nas palavras do líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani. "É uma oportunidade de afinar o discurso. Há consenso no PMDB de que o presidente Temer é a principal liderança do partido, e a legenda vê com preocupação a possibilidade de desgaste dele nessa tarefa de articulador político do governo", afirmou.

Ontem, Temer afirmou que está "na mesma canoa" de Dilma e reiterou que o PMDB "é aliado" da presidente. Integrantes do partido, no entanto, já procuraram a cúpula do PSDB para discutir a possibilidade de apoio caso o vice-presidente venha a assumir o governo.

A reunião da bancada também é vista como uma chance de Paes testar a aceitação de seu nome para possível disputa à Presidência da República em 2018 pelo partido.

"Eduardo tem relação sólida com os parlamentares, mas a relação não é tão próxima com outros de alguns Estados. Essa é uma oportunidade de aproximação, estreitar laços", afirmou Picciani.

Após dois mandatos na prefeitura, Paes também é citado como candidato natural do PMDB à sucessão do governador Luiz Fernando Pezão. O prefeito mesmo, em entrevistas, já disse que este é seu caminho natural.

Internamente, Paes e Picciani estão em lados opostos. O prefeito quer fazer o secretário chefe da Casa Civil, Pedro Paulo, seu sucessor na administração municipal. O líder do PMDB na Câmara também cobiça o cargo e tem o apoio do pai, deputado estadual Jorge Picciani, presidente da Assembleia Legislativa e do partido no Rio.

Os 62 deputados federais da bancada peemedebista foram convidados a vir ao Rio pelo PMDB-RJ. O convite é extensivo a acompanhantes. De acordo com a assessoria de Leonardo Picciani, as passagens aéreas serão pagas pelos próprios parlamentares. Já o transporte no Rio, hospedagem e refeições ficarão a cargo do partido.

Na lista para o jantar na Gávea Pequena, estão confirmados o governador Pezão e Jorge Picciani. O ex-governador Sérgio Cabral não estava na lista, mas é esperado.

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