Cúpula do PMDB dá aval à retaliação contra tucanos

Primeira representação, contra Virgílio, será protocolada semana que vem

Eugênia Lopes e Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

30 de julho de 2009 | 00h00

A decisão do PMDB do Senado de partir para o contra-ataque e retaliar o PSDB com representações no Conselho de Ética contra senadores tucanos pôs a cúpula peemedebista numa saia-justa. Os principais dirigentes do partido, que são deputados - Michel Temer (SP), licenciado da presidência, e Iris Araújo (GO), no exercício da presidência -, resistiam a entrar na guerra desencadeada no Senado entre o PMDB e o PSDB, que anteontem protocolou três representações contra o presidente da Casa, José Sarney (AP). Mas, depois de ouvir Sarney e o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), a cúpula deu o aval para que Íris assine as representações contra os tucanos. A primeira delas, contra o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), deverá ser protocolada na semana que vem.Temer conversou ontem com Sarney sobre a decisão de Renan de retaliar os tucanos. A princípio, ele e a cúpula do partido resistiram até onde puderam para ficar à margem da crise no Senado . Mas diante de apelo de Sarney e de Renan, cederam e concordaram com a represália aos tucanos. Diante do fato consumado, Temer também conversou com o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), avisando da decisão do PMDB de representar contra tucanos no Conselho de Ética do Senado. O envolvimento dos deputados com a briga dos senadores ocorreu porque uma representação só pode ser feita pela direção partidária.Colegas de Temer na cúpula peemedebista argumentaram que ele não teve como negar o pedido de Sarney, considerado um dos caciques do partido. Além disso, a negativa da representação iria criar um clima de guerra explícita entre deputados e senadores que integram a Executiva Nacional do partido, como é o caso de Renan. Os dois lados já vivem às turras por causa da disputa de espaço nos ministérios e estatais do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo um dirigente peemedebista, o envolvimento do partido nessa questão não é bom, mas não há o que fazer. A deputada Íris Araújo está no Rio e só na próxima semana deverá viajar para Brasília, quando protocolará as representações contra os tucanos.''RECIPROCIDADE''Segundo o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), a ideia é entrar com representação, neste primeiro momento, apenas contra senadores tucanos. "É uma questão de reciprocidade. A lista é grande. Não é só o Arthur Virgílio não", afirmou ontem Salgado, que é da tropa de choque de Sarney e de Renan. "Já que pedir emprego é falta de decoro, então vamos ver nos últimos seis anos todo mundo que fez isso aqui no Senado", ameaçou. Ele explicou que os senadores de outros partidos, como DEM e PT, serão poupados. "O DEM e o PT não entraram com representação contra o presidente Sarney. Eles não partidarizaram essa questão", disse Salgado. Além de Virgílio - que confessou ter empregado funcionário fantasma em seu gabinete e usado 3,3 mil do ex-diretor do Senado Agaciel Maia, em 2005, quando estava em viagem a Paris com a família -, o PMDB também estaria disposto a protocolar representação contra Tasso Jereissati (PSDB-CE), que admitiu ter usado o dinheiro de sua cota de passagens aéreas para fretar um jatinho. Na época da denúncia, o senador Mário Couto (PSDB-PA) também confessou ter feito o mesmo.Antes de decidir pôr apenas os tucanos contra a parede, os peemedebistas também ameaçaram protocolar outras representações contra senadores que estão defendendo a renúncia de Sarney da presidência do Senado. Seria o caso de Tião Viana (PT-AC), cuja filha gastou mais de R$ 14 mil com telefone celular do Senado em uma viagem ao México, no início do ano.

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