Cúpula do Mercosul marca despedida de Lula dos eventos internacionais

Na 40ª cúpula do bloco, em Foz do Iguaçu, Brasil transmite a presidência rotativa do Mercosul ao Paraguai.

Rafael Spuldar, BBC

17 Dezembro 2010 | 06h18

Durante cúpula, Brasil passará presidência temporária para Paraguai

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta sexta-feira, em Foz do Iguaçu (PR), da 40ª Cúpula do Mercosul, seu último evento internacional antes de transmitir o cargo para Dilma Rousseff, em 1º de janeiro.

Esta será a 17ª cúpula do bloco sul-americano desde que o petista assumiu o Planalto, em 2003. Além de Lula, participam da reunião os chefes de Estado dos demais membros plenos do Mercosul - os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, do Paraguai, Fernando Lugo, e do Uruguai, José Mujica.

Os países associados do bloco também estarão representados. A ausência será o venezuelano Hugo Chávez, que não viajou a Foz do Iguaçu para poder acompanhar os trabalhos de recuperação após as enchentes que assolaram o seu país.

Nesta 40ª Cúpula, o Brasil transmite a presidência temporária do bloco econômico ao Paraguai.

A população somada dos países integrantes do Mercosul chega a 240 milhões de pessoas, com um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente R$ 2,5 trilhões.

Na quinta-feira, em um discurso realizado no complexo da usina binacional de Itaipu, Lula ressaltou a importância da união dos países sul-americanos.

"Nós achávamos que era preciso criar condições, entre nós, de todos ganharmos um pouco, para que a gente aprendesse um pouco o sabor de que somos capazes de fazer as coisas que sejam boas para os nossos povos", disse o presidente. "Nós conseguimos fazer do Mercosul um centro de desenvolvimento extraordinário."

Apesar do discurso otimista, quase 20 anos depois da criação do Mercosul, os números do intercâmbio comercial entre o Brasil e os parceiros do bloco são equivalentes aos de outros países ou superados por eles, mesmo considerados isoladamente.

Enquanto as exportações brasileiras para as nações do bloco ficaram em US$ 20 bilhões entre janeiro e novembro deste ano, as vendas para a China ultrapassam US$ 28 bilhões no mesmo período. Já as exportações para os Estados Unidos foram de US$ 17 bilhões.

Além disto, fora do bloco, o Mercosul só possui acordos de livre comércio com dois países: Israel e Egito.

Acordos de chanceleres

Ainda na quinta-feira, uma série de acordos foram definidos entre os chanceleres dos países-membros do Mercosul.

Entre eles, está a adoção de uma placa comum para veículos de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai e a criação do cargo de alto-representante do Mercosul, com funções de articulação política e representação do bloco.

Também foi aprovado um acordo que permite a prisão de pessoas procuradas pela Justiça nos territórios dos quatro países.

Os chanceleres assinaram ainda pré-acordos com a Síria e com a Autoridade Nacional Palestina, que podem levar à criação de zonas de livre comércio entre estes países e o Mercosul. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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