Cúpula da CPI dos Correios diverge sobre prorrogar trabalhos

O relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), defendeu nesta terça-feira a prorrogação, por mais 45 dias, dos trabalhos da Comissão. A CPI tem seu término marcado para 10 de abril. Líderes de oposição apostam, no entanto, que a continuidade da CPI dos Correios enfrentará resistências principalmente na Câmara. Para que as investigações prossigam, são necessárias 171 assinaturas dos deputados e 27 de senadores. O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), é contra a prorrogação da Comissão."É precipitado uma prorrogação agora. Isso só prejudica a conclusão do relatório final da CPI", argumentou Delcídio. A previsão é que o relatório final seja apresentado no próximo dia 21. Serraglio decidiu posicionar-se favoravelmente à prorrogação, depois das denúncias envolvendo parlamentares do PMDB. Segundo a revista Veja, 55 dos 81 deputados do PMDB teriam recebido mensalão, em 2004. "Com essa situação nova, passa a ser dever moral meu pedir a prorrogação para não parecer que eu não quero investigar o PMDB", afirmou hoje Serraglio.Ele observou, no entanto, que está "impedido" de investigar o caso porque é do PMDB. "Existe uma figura jurídica que fala no impedimento por suspeita", explicou Serraglio. Ele reivindicou a escolha de um novo relator para tratar especificamente do mensalão para o PMDB. "Não posso me opor à prorrogação. É uma suspeita que precisa ser investigada. Agora, precisamos ter muito cuidado para não só ficar jogando nomes", disse Serraglio. A idéia é que, no requerimento para prorrogar a CPI dos Correios, sejam incluídos os pedidos de investigação sobre as denúncias de desvio de recursos de Furnas e de Itaipu para financiar campanhas eleitorais.Apesar do movimento dos partidos de oposição em prol da prorrogação da CPI dos Correios, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), reconheceu que dificilmente serão obtidas as assinaturas de 171 deputados para que a Comissão possa continuar as investigações. "É muito difícil conseguir as assinaturas na Câmara. A não ser que ocorra algum caso fortuito", disse o tucano. "É muito difícil conseguirmos essa prorrogação", completou o sub-relator de normas de combate à corrupção da CPI, deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS).

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