Cúpula acha que CPI dos Correios virou palanque eleitoral

A CPI dos Correios deverá concluir os trabalhos até 15 de março, um mês antes do previsto, anunciou hoje o presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-MS). A avaliação na cúpula da CPI é que se transformou num palanque eleitoral e pouco há para avançar nas investigações . Na segunda-feira, o comando da comissão vai se reunir para definir o calendário de entrega dos sub relatórios sobre movimentação financeira, contratos, Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), normas de combate à corrupção e fundos de pensão."Vamos tentar acelerar tudo para que possamos votar o texto final até 15 de março", afirmou ontem Delcídio Amaral. A nove meses das eleições gerais, a cúpula da CPI está preocupada com o uso político da Comissão e o acirramento das disputas regionais. Um exemplo desse clima de tensão pré-campanha ocorreu hoje durante depoimento na CPI de ex-dirigente da Prece, o fundo de pensão da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae) do Estado do Rio de Janeiro.A deputada Denise Frossard (PPS-RJ), pré-candidata ao governo do Rio, e o deputado Carlos William (PTC-MG), aliado do ex-governador Anthony Garotinho e sub-relator do IRB, protagonizaram um bate-boca, com direito a xingamentos mútuos. Ontem, foi a vez de Willian e o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), filho do prefeito do Rio César Maia, se desentenderem também durante depoimento de representante da Prece. Nos últimos dois dias, o sub-relator de fundos de pensão, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), convocou quatro representantes da Prece para falar na CPI dos Correios. ACM Neto fez relatório citando indícios de irregularidades em operações do fundo de pensão dos funcionários da Cedae.A sub-relatoria de fundos de pensão foi a penúltima a começar a funcionar e, por isso, ACM Neto defende que os trabalhos se estendam até o prazo final da CPI, em abril. "Vou conversar com o deputado ACM Neto sobre a antecipação da entrega do relatório", disse o senador Delcídio. Ontem, ACM Neto apresentou relatório preliminar apontando que 13 fundos de pensão patrocinados por estatais tiveram perda de R$ 75,9 milhões, no período de 2000 a 2005. Segundo o documento, a Prece e o Nucleos (fundo de pensão de estatais de energia nuclear) foram os fundos que mais perderam em negociações com títulos públicos.Vazamento Hoje pela manhã, o presidente Delcídio Amaral recebeu representantes da Associação Brasileira Entidades de Previdência Privada (Abrapp), que reclamaram da divulgação de dados sobre o setor. Relatório de dezembro do ano passado apontou perdas de R$ 729 milhões de 14 fundos em operações na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) entre 2000 e 2005 e de R$ 54,8 milhões com títulos públicos, mas restritas a sete entidades e no período de 2003 e 2005."Eles (representantes da Abrapp) falaram do vazamento de informações sobre os dados dos fundos e acharam que os R$ 700 milhões têm de ser tratados com cuidado", afirmou o presidente da CPI dos Correios. Ainda hoje, Delcídio recebeu representantes da Caixa Econômica Federal (CEF) que foram levar documentos que comprovariam a lisura da operação de compra de crédito consignado do BMG pelo banco oficial.

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