Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Cunha silencia sobre Catta Preta; presidente da CPI nega perseguição

Presidente da Câmara dos Deputados não quis comentar a fala da advogada que defendia até semana passada o delator Júlio Camargo, que o citou como destinatário de propina de US$ 5 milhões

DANIEL CARVALHO, O Estado de S. Paulo

30 de julho de 2015 | 21h53

Brasília - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não quis comentar as declarações da advogada Beatriz Catta Preta, que disse ter encerrado sua carreira e abandonado seus nove clientes que defendia na Operação Lava Jato por ter sido ameaçada pela CPI da Petrobrás, comandada por um aliado do peemedebista.

Procurado pela reportagem após a exibição da entrevista de Catta Preta ao Jornal Nacional desta quinta-feira, 30, Cunha limitou-se a orientar que procurasse seu advogado, o ex-procurador-geral Antonio Fernando de Souza, que não atendeu ao telefonema do Estado. Mais cedo, antes da veiculação do depoimento da advogada, Cunha se recusou a falar sobre o assunto. "Eu não comento sobre isso. Eu não comento isso. Então, pergunte à CPI. Sobre isso eu não falo", afirmou o presidente da Câmara no início da noite.

Beatriz Catta Preta havia sido convocada para prestar depoimento à CPI da Petrobras para explicar a origem de seus honorários. Dias depois, um de seus clientes, o lobista Julio Camargo, disse em delação premiada que Cunha havia pedido propina de US$ 5 milhões no esquema de corrupção da Petrobras. O presidente da Câmara negou a acusação com veemência. Depois do episódio, Catta Preta resolveu fechar seu escritório.

Na entrevista desta noite, ela disse ter abandonado os clientes devido a supostas ameaças. Segundo a advogada, as intimidações "vêm dos integrantes da CPI, daqueles que votaram a favor da minha convocação".

O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), disse, em nota, que não há perseguição à advogada. "O requerimento de convocação da advogada Beatriz Catta Preta foi aprovado por unanimidade no plenário da CPI da Petrobrás. A vontade de investigar a origem dos honorários da advogada é suprapartidária, o que afasta de vez a acusação de perseguição", afirmou o deputado.

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