Cunha se reúne com Kassab, que promete desobstruir votação da terceirização

Presidente da Câmara e ministro das Cidades se encontraram em meio às tentativas do PMDB de barrar a criação do PL

Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

22 Abril 2015 | 15h35

Brasília - O ministro das Cidades, Gilberto Kassab (PSD), e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se reuniram em um café da manhã na residência oficial de Cunha nesta quarta-feira, 22. No encontro, que não constava na agenda de nenhum dos dois, o ministro disse ao parlamentar que, ao contrário da semana passada, seu partido não obstruiria a votação dos destaques ao projeto que regulamenta a terceirização no País

Questionado se havia feito as pazes com Kassab, já que o PMDB vem tentando barrar a criação do PL - nova sigla que o ministro articula a criação - Cunha respondeu de maneira sucinta: "Nunca brigamos". Na intenção de enfraquecer o partido de Cunha, a presidente Dilma Rousseff fortaleceu a legenda de Kassab, que articula a recriação do PL para fundi-lo com o outro partido que o hoje ministro criou em 2011. Para combater as intenções de Kassab o PMDB atuou em várias frentes. A principal medida foi a aprovação da uma quarentena de cinco anos para fusão de partidos políticos.

O café da manhã desta quarta foi articulado pelo líder do PSD na Câmara, Rogério Rosso (DF). Cunha e Kassab evitaram discutir a polêmica que os distanciou durante os primeiros meses deste ano. A pauta, de acordo com participantes do café, ficou em torno de reforma política e terceirização. 

Presidente licenciado do PSD, Kassab disse a Cunha que, ao contrário da semana passada, seu partido não obstruiria a votação dos destaques ao projeto que regulamenta a terceirização no País. Foi graças a um requerimento de retirada de pauta apresentado pelo PSD na quarta-feira passada, 15, que o presidente da Câmara teve que, contra sua vontade, adiar a votação. 

Para tomar a decisão de não mais obstruir a votação, o PSD afirmou ter recebido um parecer técnico que indica que não há perda de direitos dos trabalhadores. O partido, no entanto, ainda não definiu se acompanhará a vontade do PMDB nos pontos mais polêmicos a serem discutidos nesta quarta-feira, como a extensão da terceirização para as atividades-fim. O partido de Cunha diverge do PT e do governo nesses pontos.

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