Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Cunha se irrita ao ser questionado sobre contas na Suíça

'Não falo sobre este tipo de situação; já está muito claro para mim que, a cada dia, sempre surge uma coisa nova', afirmou o presidente da Câmara

Daniel Carvalho e Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2015 | 22h19

Brasília - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se irritou com uma pergunta sobre a posse de contas na Suíça. Segundo a Procuradoria-Geral da República, o peemedebista e seus familiares têm contas secretas naquele país.

"Não vou comentar até porque não vi nada. Não falo sobre este tipo de situação. Já está muito claro para mim que, a cada dia, sempre surge uma coisa nova. A minha escolha é uma coisa que já está feita há muito tempo", afirmou Cunha.

Diante da insistência do jornalista que indagou se Cunha possui conta na Suíça, o presidente da Câmara voltou a se esquivar. "Querido, eu não vou comentar. Vou ver exatamente a posição deles. Se dizem que tem alguma coisa, vou esperar que apareça", afirmou. "Não vou cair na armadilha de dar para você qualquer tipo de lide (jargão jornalístico para trecho mais importante de uma reportagem) nesta situação todo dia. Não vou comentar hoje, amanhã, depois de amanhã, como não comentei ontem, como não comentei anteontem. Não vou comentar nenhum fato específico. Toda vez que fui pela linha de comentar os fatos, a situação sempre foi contrária ao meu posicionamento", disse Cunha.

A Suíça transferiu para o Brasil investigação criminal contra Cunha, denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. Com a remessa das informações contra o peemedebista naquele país europeu, a Procuradoria-Geral da República, em Brasília, poderá investigá-lo e processá-lo. Eduardo Cunha teria recebido, na Suíça, propina relativa a contratos da Petrobrás.

A transferência da investigação criminal foi feita por meio da autoridade central dos dois países (Ministério da Justiça). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aceitou a transferência feita pelo Ministério Público da Confederação Helvética.

Após a entrevista de Cunha, a assessoria de imprensa da presidência da Câmara distribuiu nota do advogado do parlamentar, o ex-procurador Antonio Fernando de Souza. Ele afirma que "desconhece qualquer procedimento investigatório" realizado na Suíça. "Por tal razão, está impedida de tecer comentários acerca dos supostos fatos noticiados", diz a nota.

"A defesa do deputado Eduardo Cunha está pronta para prestar os devidos esclarecimentos que se façam necessários, mas mantendo a sua postura de se manifestar exclusivamente nos autos de processos e caso formalmente questionada pelas autoridades competentes".

Vetos. Cunha disse que a divergência entre ele e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que resultou na não realização da sessão de vetos não foi um "capricho" seu, como disse seu correligionário, sem citá-lo. "Não foi capricho meu, nem vontade minha. Não foi decisão minha. O que aconteceu é que os líderes de oposição e situação, com exceção do PT, PDT e PC do B e os partidos menores, que não participaram, os maiores partidos seja de situação ou de oposição decidiram que não iriam fazer a sessão de Congresso hoje se não estivesse este veto. Apenas cumpri a decisão que eles tomaram", afirmou.

Para Cunha, se a apreciação dos vetos presidenciais tivesse ocorrido nesta quarta-feira, o governo seria derrotado. "Neste clima que ficou aí hoje, o governo perderia o veto. O governo perdeu três votações no plenário hoje. O governo não teve votos. O governo, quando foi testado, não teve votos", afirmou.

Uma nova sessão do Congresso foi marcada para terça-feira, 6.

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