Cunha planeja lançar 4º candidato para dificultar reeleição de Picciani à liderança, dizem aliados

Trata-se de uma estratégia do peemedebista para dificultar ainda mais a manutenção do líder da Câmara, que é aliado do Palácio do Planalto; segundo assessores, nome será mantido em sigilo por enquanto

Igor Gadelha e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2016 | 15h07

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse a interlocutores que planeja lançar um quarto candidato para disputar a liderança do PMDB na Casa. Trata-se de uma estratégia do peemedebista para dificultar ainda mais a reeleição ao posto de Leonardo Picciani (RJ), aliado do Palácio do Planalto. Cunha já teria comunicado a proposta ao vice-presidente da República e presidente nacional da legenda, Michel Temer.

Por estratégia, Cunha disse a assessores que pretende manter o nome do candidato em sigilo até o dia em que se encerra o prazo para registro de candidaturas - até o momento, estabelecido em 25 de janeiro. Segundo apurou o Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, a ideia do peemedebista é lançar um candidato "governista" que não seja nem da bancada do Rio de Janeiro nem de Minas Gerais, para se "contrapor" a Picciani.

A articulação de Cunha ocorre em meio à divisão da bancada do PMDB de Minas Gerais em relação à disputa pela liderança do partido na Câmara. Os mineiros Leonardo Quintão e Newton Cardoso Júnior se apresentam como pré-candidatos. Além disso, há ainda o deputado Mauro Lopes, que foi sondado pelo Planalto para assumir a Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), em troca de apoio a Picciani.

Planalto. Como publicou o Estado hoje, a movimentação do governo com a bancada de Minas para ajudar Leonardo Picciani pode acabar tendo efeito contrário ao desejado pelo Executivo e prejudicar a reeleição de seu aliado. Isso porque a estratégia aprofundou a divisão da bancada mineira, incentivando o lançamento de mais de uma candidatura adversária ao deputado fluminense.

Quintão tem reforçado que será candidato contra Picciani independente de Mauro Lopes assumir ou não o comando da Aviação Civil. Até então com discurso de que representava a bancada mineira, ele passou a ressaltar que representa um "grupo", composto em sua maioria por peemedebistas da ala pró-impeachment que articularam, em dezembro, a destituição de Picciani e a indicação de Quintão por meio de lista.

Para Newton Cardoso, Quintão tem se apresentado como uma candidatura "avulsa". O parlamentar afirma que quer ser o candidato da bancada mineira. Ele diz que só estaria disposto a "abrir mão" de concorrer à liderança "por Mauro Lopes", se o Planalto tivesse oferecido o cargo para contemplar a bancada mineira, e não a Picciani, para que o deputado fluminense barganhasse apoio a sua reeleição.

Procurado, Temer afirmou por meio de sua assessoria que não vai atuar "de qualquer maneira" para interferir na eleição da liderança do PMDB. Nos bastidores, sabe-se que a postura do peemedebista faz parte de sua estratégia para garantir a unidade do partido e facilitar sua reeleição à presidência nacional do partido. A convenção nacional da sigla está marcada para março.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.