Divulgação
Divulgação

Cunha nega ter discutido 'manobra' por impeachment com líderes da Câmara

Presidente da Casa afirmou que 'essa é uma coisa muito séria para ser tratada de uma forma jocosa como está sendo colocada' e atribui notícia a um mal entendido

Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2015 | 18h59

Atualizada em 05 de agosto de 2015, às 12h57

Brasília - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), negou "veementemente" que tenha discutido com seus aliados manobra para garantir a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff sem se comprometer diretamente. Para o peemedebista, a imprensa trata o assunto de forma "jocosa".

Líderes de partidos próximos a Cunha disseram, sob condição de anonimato, que uma possibilidade acordada em encontro na casa do presidente da Câmara na noite de segunda-feira, 3, era que, após o Tribunal de Contas da União (TCU) apresentar seu parecer sobre as contas do governo, Cunha rejeitaria o pedido de abertura de processo de impeachment, mas a oposição apresentaria um recurso, que seria votado e aprovado, garantindo a votação do impedimento da petista.

"Não há discussão de impeachment", afirmou Cunha. "Alguém pode fazer um ou outro comentário. Cada um tem o direito de opinar e fazer o que quiser. Da minha parte, eu desminto veementemente as notícias que estão publicadas nos onlines que eu tive qualquer discussão acerca disso. Essa é uma coisa muito séria para ser tratada de uma forma jocosa como está sendo colocada. Não é verdade", afirmou o presidente da Câmara.

Saída. Durante a reunião do colégio de líderes, o líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), pediu que Eduardo Cunha se afastasse da presidência da Câmara por causa da denúncia feita pelo lobista Julio Camargo que, em delação premiada, disse que Cunha pediu propina de US$ 5 milhões no esquema de corrupção da Petrobrás.

O PSOL não teve apoio de nenhum outro partido, nem mesmo PT e PC do B. O primeiro silenciou e o segundo se posicionou favorável a Cunha. "Não vejo fato para ele ter que sair", disse o líder petista, Sibá Machado (AC). "Neste momento, é um delator que o acusou. Sem olhar quem é, precisamos respeitar o devido processo legal", disse a líder do PC do B, Jandira Feghali (RJ).

Negação. Nesta quuarta-feira, 5, o presidente da Câmara convocou jornalistas para negar que tenha feito reunião com líderes partidários a fim de discutir manobras para dar início ao procedimento de impeachment da presidente Dilma Rousseff. "Quero desmentir com veemência que a gente tenha feito reunião para discutir impeachment", declarou.

Cunha negou qualquer tipo de acordo no sentido de uma manobra pelo afastamento e atribuiu a notícia a um mal entendido. "Alguém entendeu equivocado", disse. 

O presidente da Câmara disse que seguirá o regimento interno e a Constituição para avaliar os pedidos de impeachment que já foram protocolados na Casa. Ele revelou que possivelmente mandará alguns requerimentos para o arquivo e outros para análise técnica. "Todo procedimento que eu der será de acordo com a Constituição", reforçou.

Sobre a análise das contas do governo referentes ao exercício de 2014, Cunha disse que ainda tem dúvidas jurídicas sobre a viabilidade de possíveis pedidos de impeachment no caso da rejeição das contas da presidente Dilma, já que se trata de mandato anterior. "Não posso decidir só pela minha opinião. Tenho de ter embasamento técnico", afirmou. "A minha opinião é que o mandato terminou em 31 de dezembro. Se fosse alguma coisa do mandato atual, sim. Mas é mandato passado. Vamos pegar os pareceres, análises técnicas para configurar se tem ou não tem (procedência). Minha opinião pessoal por enquanto persiste igual", completou. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.