Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Cunha não comenta investigação de seu nome na Lava Jato

'Não estou preocupado, mas quero conhecer o conteúdo, temos o direito de saber o que está se passando', afirmou o presidente da Câmara em entrevista ao Jornal da Band

Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

06 de março de 2015 | 21h44

Brasília - Citado na lista de investigados por suposto envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás divulgada na noite desta sexta-feira, 6, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), informou que só irá se manifestar depois de tomar conhecimento do conteúdo do inquérito aberto contra ele.

Ao Jornal da Band, antes da divulgação da lista, Cunha disse não estar preocupado com as investigações. "Não estou preocupado, mas quero conhecer o conteúdo, temos o direito de saber o que está se passando", afirmou em entrevista ao telejornal.

Nesta semana, foi divulgada a informação de que Cunha havia sido avisado antecipadamente de que seu nome constava na lista entregue pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF. O parlamentar negou. Na quinta-feira, 5, o presidente da Câmara foi voluntariamente à CPI da Petrobrás para se colocar à disposição para esclarecer qualquer acusação. "Quem não deve não teme", afirmou.


Cunha foi citado em um dos vários depoimentos dados pelo doleiro Alberto Youssef ao Ministério Público, no âmbito da delação premiada, entre outubro e novembro de 2014. Youssef disse que o atual presidente da Câmara foi "beneficiário de propinas" do esquema de corrupção. Segundo o doleiro, os pagamentos eram efetuados pelo empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como operador do PMDB no esquema.

O presidente da Câmara também foi citado à Polícia Federal pelo policial Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, acusado de ser o "carregador de malas" de Youssef. Careca citou Cunha em 18 de novembro de 2014 e, depois, em 5 de janeiro de 2015, em uma retificação. 

No primeiro momento, ele disse que levou dinheiro "duas ou três vezes" a uma "casa amarela" em um condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Afirmou também que o doleiro havia dito que o endereço era de Eduardo Cunha. Na retificação, Careca disse que o imóvel estava localizado em um outro condomínio no mesmo bairro e que não tinha como saber se era mesmo o endereço de Cunha.

Após a retificação de Careca, o advogado criminalista Antonio Figueiredo Basto, responsável pela defesa de Youssef, disse que seu cliente "não sabe nada a respeito de entregar dinheiro" para Cunha e protocolou petição na Justiça Federal no Paraná em que afirma que o doleiro "nunca teve qualquer relação" com o parlamentar.

Cunha sempre negou ter recebido favor ou dinheiro de Youssef e disse que a denúncia de envolvimento com o esquema de corrupção era "uma alopragem que foi desmoralizada", em referência ao "escândalo dos aloprados", ocorrido em 2006, quando petistas foram presos em São Paulo ao tentar comprar um dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra (PSDB).

Durante sua campanha pela presidência da Câmara, Cunha disse ter recebido informações de um policial federal de que integrantes da cúpula da instituição teriam participado de uma gravação manipulada para prejudicá-lo e ligá-lo ao caso de corrupção da Petrobrás. 

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