Cunha Lima e aliados ainda lutam pelo cargo na Justiça

Governador cassado pede no STF liminar para ficar no posto até julgamento de recursos contra decisão do TSE

Mariângela Gallucci e Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

19 de fevereiro de 2009 | 00h00

Advogados do governador cassado da Paraíba, Cássio Cunha Lima, e de seus aliados encaminharam ontem quatro recursos à Justiça para tentar derrubar a decisão tomada na véspera pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a posse de José Maranhão (PMDB) no comando do Estado.Os recursos foram protocolados no próprio TSE e no Supremo Tribunal Federal (STF). Cunha Lima pediu no STF uma liminar para ficar no posto até o julgamento dos recursos, que contestam a decisão dos ministros e pedem novas eleições para governador - que seriam realizadas de forma indireta na Assembleia."Ao invés de reabrir o processo eleitoral, de modo democrático, entendeu por bem o TSE entregar à minoria vencida o governo estadual em nova contradição com a Lei Maior", reclamaram os advogados de Cunha Lima no recurso ao TSE.O presidente da Assembleia da Paraíba, Artur Paredes da Cunha Lima, primo do governador cassado, também recorreu ao Supremo. Pediu que seja determinada a realização de eleições para a escolha do novo chefe do Executivo estadual."O sr. José Targino Maranhão e o sr. Luciano Cartaxo Pires de Sá, segundos colocados cujas posses foram determinadas judicialmente, não alcançaram a maioria absoluta dos votos proferidos no pleito de 2006", sustenta o presidente da Assembleia. Por esse motivo, segundo ele, não poderiam assumir o governo e teria de ser realizada uma nova eleição.PRESSÃO"O sentimento do PSDB é de injustiça", reclamou também o presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE). "Vejo este fato como um grave erro, o que reforça minha convicção de que haverá nova eleição e nós vamos vencê-la." Opção do partido para tentar retomar o governo pelo voto popular, o senador Cícero Lucena (PSDB-PB), que pertence ao grupo político do governador cassado, protestou: "Sete votos estão cassando mais de 1 milhão de votos."Guerra e Lucena argumentam que o recurso à Justiça, em busca de novas eleições, tem amparo na Constituição federal e na estadual. "No ano da reeleição de Lula, o Bolsa-Família não só foi mantido como aumentou o número de beneficiários", disse Lucena. Quanto aos benefícios pagos por meio de cheques emitidos pelo governo Cunha Lima e agora questionados pela Justiça, Lucena disse que o governo da Paraíba deveria receber o mesmo tratamento do governo Lula. "O absurdo é que cheque não pode e o cartão do Bolsa-Família é permitido."

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