Cunha Lima diz ser vítima de 'profundo equívoco'

Na quinta, TSE confirmou a cassação do mandato do governador por abuso de poder político e econômico

ADELSON BARBOSA DOS SANTOS, Agencia Estado

21 de novembro de 2008 | 17h19

Cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder e compra de voto, condutas vedadas aos agentes públicos, o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima  (PSDB), disse nesta sexta-feira, 21, em João Pessoa que foi vítima de "um profundo equívoco de decisão judicial" e que vai recorrer da decisão no Supremo Tribunal Federal (STF). Cunha Lima afirmou que foi condenado por crime que não cometeu, mas que "a história vai reparar tudo isso". "2008 ficará na história como o ano que teve o maior equívoco judicial, porque fui condenado por aquilo que não fiz", declarou Cunha Lima. Veja Também:  TSE confirma cassação do mandato do governador da Paraíba Aliado do presidente Lula, o senador José Maranhão (PMDB), que ficou em segundo lugar na eleição de 2006, aguarda a publicação do acórdão do TSE para assumir o governo da Paraíba, com o vice, Luciano Cartaxo (PT), outro aliado do Palácio do Planalto. Segundo Cunha Lima, "o TSE praticou uma grande incoerência" ao determinar que o vice-governador de Santa Catarina fosse ouvido pelo TRE daquele Estado no processo de cassação do governador Luiz Henrique da Silva (PMDB) e não ter tomado a mesma decisão em relação ao vice-governador da Paraíba, José Lacerda Neto (DEM).O TSE, com base nos autos, entendeu que Lacerda teve direito de se defender no decorrer do processo do Caso FAC (Fundação de Ação Comunitária), que motivou a cassação dele e do governador pelo TRE da Paraíba, em 30 de julho de 2007. Os advogados do governador e do vice tentaram adiar o julgamento do processo, alegando que houve cerceamento de defesa dos dois no TRE e no TSE. O tucano disse que as informações repassadas aos ministros do TSE, sobre o Caso FAC, não são verdadeiras. "O vice-governador José Lacerda neto não produziu provas, nem arrolou testemunhas", afirmou Cunha Lima, acrescentando que seu sentimento é de indignação. "Vamos à instância suprema na esperança de que a Constituição seja respeitada em nome do sagrado direito do exercício da defesa. O Supremo Tribunal Federal haverá de observar que houve cerceamento de minha defesa e do vice", declarou. Antes da coletiva, Cunha Lima fez uma espécie de balanço de despedida do governo da Paraíba. Disse que recuperou as finanças do Estado nos seis anos de mandato. Ele determinou à Secretaria de Finanças do Estado que pague os salários de novembro e o 13º salário dos mais de 120 mil servidores na segunda-feira. Ontem à noite, eleitores senador José Maranhão invadiram a orla marítima de João Pessoa em comemoração pela cassação de Cunha Lima. Em dezenas de cidades da Paraíba, houve carreatas de aliados do senador.

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