ANDRE DUSEK|ESTADÃO
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Cunha era 'menino de recados' do BTG, afirma Delcídio

Em delação, senador acusa presidente da Câmara de agir em prol dos interesses do banqueiro André Esteves na Casa

Eduardo Rodrigues, Beatriz Bulla, Gustavo Aguiar, Adriano Ceolin e Fábio Fabrini, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2016 | 13h34

Brasília - Em delação premiada homologada na noite de segunda-feira, 14, e divulgada nesta terça pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o senador Delcídio Amaral (PT-SP) chamou o presidente da Câmara dos Deputado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de "menino de recados" do banqueiro André Esteves em assuntos de interesse do Banco BTG, "especialmente no que tange a emendas às Medidas Provisórias que tramitam no Congresso".

Como exemplo, o senador citou aos investigadores a apresentação de emenda por parte da Câmara dos Deputados a uma MP (668 ou 681, segundo Delcídio) possibilitando a utilização de ativos em instituições em liquidação de dívidas. Entre as tratativas de Esteves junto a Eduardo Cunha, estaria a possibilidade de inclusão de mecanismos para que bancos falidos utilizassem os Fundos de Compensação de Variações Salariais (FCVS) para quitar dívidas com a União. Delcídio confessou ainda o fato de ele próprio ter marcado uma agenda do banqueiro do BTG com o então ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para tratar do tema.

Delcídio ressaltou ainda que o BTG seria um dos maiores mantenedores do Instituto Lula. "Um dos instrumentos utilizados para repasse de valores seria o velho esquema de pagamento de 'palestras'", denunciou o senador. Além do próprio ex-presidente Lula, o ex-ministro petista Antônio Palocci seria uma espécie de "gendarme" de Esteves no esquema, nas palavras do delator.

O documento de delação revela que a maior preocupação de Lula e André Esteves é com relação à PetroAfrica. A polêmica operação levou à aquisição pelo BTG de 50% de campos de petróleo, principalmente na Nigéria, por um valor muito aquém do que a própria Petrobrás já teria investido e abaixo do potencial dos poços.

Delcídio lembra ainda que o BTG teve papel preponderante em várias campanhas eleitorais, e alega que André Esteves tem "relações próximas" com fundos de pensão de empresas estatais. O delator também afirma ser "fato conhecido" a relação do banqueiro com o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Delcídio deixou a prisão em 19 de fevereiro, após ter ficado quase três meses na cadeia acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. O ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato STF, homologou hoje delação premiada do senador e abriu o sigilo dos autos. 

Outro lado. Em nota divulgada à imprensa, o BTG Pactual negou que seja mantenedor do Instituto Lula e afirmou que contratou o ex-presidente Lula para palestra a investidores. Ainda de acordo com o texto, os valores seriam compatíveis com os números do mercado e com a relevância dos eventos. Já as MPs 668 e 681, diz a nota, não beneficiam a "atividade específica" da instituição.

A assessoria de André Esteves também afirmou não haver relação próxima entre o banqueiro e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 

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