Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Cunha envia mensagens a parlamentares; 237 dizem que votarão pela cassação

Peemedebista será julgado por seus pares na próxima segunda-feira, 12, em votação aberta marcada para o final do dia

Daiene Cardoso, Erich Decat, Luísa Martins, Igor Gadelha, Marianna Holanda e Gilberto Amêndola, O Estado de S.Paulo

07 de setembro de 2016 | 23h11

BRASÍLIA - Levantamento feito pelo Estado mostra que ao menos 237 parlamentares vão votar a favor da cassação do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Para que o ex-presidente da Câmara dos Deputados perca o mandato são necessários 257 votos a favor da punição.

INFOGRÁFICO: Acompanhe o Placar do Estado sobre a cassação de Cunha

O peemedebista será julgado por seus pares na próxima segunda-feira, 12, em votação aberta marcada para o final do dia. Cunha será notificado hoje sobre a realização da sessão que vai definir seu futuro político.

O Estado ouviu 331 parlamentares até as 21h desta quarta-feira, sendo que apenas dois declararam abertamente que votarão contra a cassação do deputado e 26 se disseram indecisos. Entre os deputados que votarão, 65 não quiseram revelar o voto, a maioria alegando que medida ajuda a minimizar a pressão de seus partidos. Dos 181 deputados não encontrados até o momento, a maioria pertence às bancadas do PMDB, PP, PSD e PR, partidos que tradicionalmente apoiavam Cunha.

Para salvar o mandato, o peemedebista decidiu enviar mensagens apelando aos colegas ontem, onde fala que uma “injustiça” contra ele não pode ser feita. "Muito obrigado pela ajuda que me deu e me permitiu que chegasse à presidência desta Casa. Neste momento, preciso muito de você, mais do que nunca, e estou enviando as razões da minha defesa para que possa avaliá-las e me julgar com isenção. Não permita que uma injustiça destrua a minha vida política e a minha família. Conto com você na principal decisão da minha vida", diz a mensagem.

O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), garantiu que todos os 58 deputados da bancada estarão presentes e votarão pela cassação de Cunha, já que se trata de uma posição fechada do partido. "Vamos todos estar presentes e votar pela cassação, com certeza absoluta. A não ser que alguém morra ou algo assim, e vamos esperar que nada sério assim ocorra", afirmou o deputado.

Florence afirmou que Cunha é o único na Lava-Jato que tem provas "robustas e contundentes" agindo contra. O líder também lembrou que o ex-presidente da Câmara teria dado prosseguimento ao processo de impeachment de Dilma como forma de retaliação. "Nós votamos pela cassação de pessoas de qualquer partido que tenham provas robustas", cravou.

Preocupados em não conseguir chegar a tempo na segunda-feira, alguns deputados estão antecipando os voos para Brasília, como a deputada Janete Capiberibe (PSB-AP). “Vou chegar no sábado para não correr o risco de perder o avião. Quero ver ele cassado, sem nenhum direito político”, afirmou.

Líder da Rede, um dos partidos autores da representação contra Cunha, o deputado Alessandro Molon (RJ) apelou para que os parlamentares coloquem um fim ao processo por quebra de decoro parlamentar que se arrasta por quase um ano. “A votação da cassação do Eduardo Cunha já passou da hora. Será uma vergonha para a Câmara, se na segunda-feira não tivermos quórum para votar. Quem faltar terá que se explicar com a sociedade brasileira”, disse.

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