DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Cunha enfrenta membros do Conselho de Ética nesta quinta

O ex-presidente é acusado pelo PSOL e pela Rede de ter mentido à comissão na Câmara no ano passado e, assim, quebrado o decoro parlamentar

Daiene Cardoso e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

19 de maio de 2016 | 09h28

Um ano após ter dito na CPI da Petrobras que não tinha contas ocultas no exterior, o deputado e presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vai depor na manhã desta quinta-feira, 19, no Conselho de Ética. O peemedebista é acusado por PSOL e Rede de ter mentido à comissão em 2015 e, por isso, ter quebrado o decoro parlamentar.

Cunha virá na mesma sala onde compareceu no dia 5 de março do ano passado voluntariamente. Doze meses depois, o deputado suspenso terá de explicar as contas encontradas na Suíça pela Procuradoria Geral da República (PGR), as quais ele afirma serem trustes. Em 2015, Cunha compareceu à sessão como presidente da Casa e hoje virá na condição de investigado, sujeito a perder o mandato parlamentar.

O peemedebista depõe nesta quinta no colegiado cercado por aliados e com a promessa de fazer um discurso de confronto direto. O primeiro a marcar presença foi seu aliado Carlos Marun (PMDB-MS). Para comportar a demanda, foi reservado uma sala maior e a sessão de votação no plenário foi cancelada.

A expectativa é que o peemedebista faça um depoimento mais político do que jurídico, negue a titularidade das contas na Suíça e reafirme que os valores encontrados no exterior não são dele, mas de trustes.

Por considerar que os votos no colegiados já estão definidos, o peemedebista não deverá focar na tentativa de convencimento dos pares, mas no ataque aos adversários declarados, como o presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PR-BA), e o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que disputou a presidência da Casa com ele no ano passado. “Ele vem para causar”, definiu um aliado. Para retaliar o adversário, o Solidariedade, partido que gravita na órbita de Cunha, entrou com representação contra Delgado nesta quarta, 18. Se a medida chegar ao conselho, Delgado estará automaticamente fora da votação final do processo disciplinar contra Cunha.

O depoimento encerra a fase de instrução processual. Agora, o relator então terá 10 dias úteis para apresentar seu parecer final. A ideia é entregar o parecer ainda neste mês.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.