Cunha encaminha a Cardozo pedido formal de proteção policial para Pinato

Presidente da Câmara pede a instauração de inquérito para averiguação da denúncia de que o parlamentar e sua família estariam sofrendo ameaças em razão de seu trabalho como relator do caso

Daiene Cardoso e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2015 | 18h02

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), encaminhou nesta quinta-feira, 19, ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, um pedido formal de proteção policial ao deputado Fausto Pinato (PRB-SP), relator do processo contra ele no Conselho de Ética.

No ofício, Cunha pede a instauração de inquérito policial para averiguação da denúncia de que o parlamentar e sua família estariam sofrendo ameaças em razão de seu trabalho como relator do caso. "Solicito, ainda, que o deputado e seus familiares sejam colocados sob proteção policial", destaca a solicitação.

O presidente da Câmara também anexou cópia das notas taquigráficas da sessão onde o vice-presidente do Conselho de Ética, Sandro Alex (PPS-PR), comunicou os colegas as supostas ameaças contra Pinato. O relator do processo contra o peemedebista deixou a Casa emocionado com as manifestações de apoio dos deputados, mas se recusou a falar sobre o episódio com os jornalistas. Durante a sessão informal do colegiado, Pinato chegou a ficar com os olhos marejados com as declarações de solidariedade.

Motim. Cerca de 100 deputados deixaram a sessão plenária nesta manhã em protesto contra a decisão da presidência da Câmara de anular a reunião desta quinta-feira do Conselho de Ética. A sessão plenária foi esvaziada após um discurso duro da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP).

Colocada de pé em sua cadeira de rodas, ela falou cara a cara com o presidente. Seus pares ficaram em silêncio. "Chega, senhor presidente. O senhor não consegue mais presidir. Levante desta cadeira, Eduardo Cunha, por favor". Em seguida, os parlamentares saíram pelos corredores da Casa aos gritos de "Fora, Cunha" e se reuniram então no plenário do conselho numa tentativa de demonstrar o fortalecimento do colegiado e repúdio ao que chamaram de "ato ditatorial" de Cunha. "O conselho saiu fortalecido. Há uma gota de esperança no Parlamento", comemorou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), adversário político de Cunha.

Pressionado e sem quórum para prosseguir no plenário, o peemedebista revogou a decisão, mas a reunião informal no colegiado prosseguiu com discursos defendendo o afastamento de Cunha do comando da Câmara. "Esta Casa não tem dono", declarou o líder do DEM, Mendonça Filho (PE).

"Hoje tivemos a demonstração da situação limite do autoritarismo. Ele não pode usar da presidência da Câmara para fazer sua defesa. Ele perdeu todas as condições de presidir o Parlamento brasileiro", emendou o deputado Henrique Fontana (PT-RS).

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.