Cunha elogia liberação de emendas, mas critica articulação política

Líder do PMDB na Câmara diz que Dilma apenas cumpre compromisso assumido e que há um conjunto de ações que precisam ser melhoradas; entre elas, a articulação política

Daiene Cardoso - O Estado de S. Paulo,

31 de julho de 2013 | 15h05

BRASÍLIA - O líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), disse que a liberação de R$ 6 bilhões em emendas parlamentares trata-se apenas do cumprimento do compromisso assumido pela presidente Dilma Rousseff e que os primeiros R$ 2 bilhões já foram liberados em junho. Apesar de louvar o gesto pessoal da presidente, o peemedebista lembrou que a iniciativa faz parte de um conjunto de ações que precisam ser melhoradas, entre elas a articulação política entre o Palácio do Planalto e o Congresso.

"A articulação política, que é deficitária, precisa ser mudada. Não é só isso (liberação de emendas) que vai resolver. Deputado aqui não vai deixar votar ou deixar de votar só porque recebeu ou deixou de receber emenda", disse.

Nesta terça-feira, 30, a presidente reuniu 10 ministros e determinou a liberação dos recursos em três parcelas. Preocupada com as próximas votações no Parlamento, Dilma agiu para neutralizar a ação da base — que tem votado contra o governo em diversas situações — e impedir novas rebeliões.

Cunha lembrou que a sistematização da liberação de emendas vai ser definida a partir da aprovação do Orçamento Impositivo, projeto que está em discussão na Casa e deve ir à votação em plenário já em agosto, para o desgosto do governo. "O Congresso vai resolver isso no Orçamento Impositivo. É justamente por essa demora e pelo tipo de forma que isso (liberação dos recursos) foi feito até hoje, não só por ela (Dilma), mas por todos os governantes. É uma bandeira do Henrique (Eduardo Alves, presidente da Casa) de eleição", afirmou.

O líder elogiou a aproximação de Dilma, mas insistiu que a relação entre aliados e governo continua "muito ruim". "Ela está dando uma atenção à base. Isso é um gesto positivo, mas só isso não resolverá", ressaltou. Para ele, a mudança na relação só poderá acontecer de duas maneiras: trocar quem executa ou quem executa mudar a maneira de lidar com a base.

Reforço. O peemedebista revelou que está empenhado em trazer de volta o suplente Eliseu Padilha de volta à Câmara como vice-líder da bancada. "O Padilha para mim é muito importante aqui. Eu tinha colocado o Padilha no início aqui para fazer uma parte de plenário e me deixar um pouco mais solto. Quando ele saiu, me desfalcou", contou. Cunha disse que tratou do assunto nesta terça, em jantar com Padilha e o vice-presidente da República, Michel Temer. A ideia é que o ex-ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, se licencie para dar lugar a Padilha.

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