DIDA SAMPAIO|ESTADÃO
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Cunha diz que vai decidir sobre impeachment após esclarecer denúncias da BTG

Presidente da Câmara afirmou o anúncio de que decidiria sobre os pedidos de afastamento de Dilma pode ter motivado o vazamento das informações de que teria recebido propina do banco

Igor Gadelha, Daiene Cardoso e Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

30 Novembro 2015 | 13h04

Atualizado às 13h22

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que "provavelmente" não decidirá nesta segunda-feira, 30, se defere ou não os principais pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff protocolados na Casa. De acordo com o peemedebista, o anúncio será adiado para que sua decisão sobre os pedidos de afastamento da petista não seja confundida com as denúncias de que ele teria recebido R$ 45 milhões do BTG Pactual para aprovar emenda à Medida Provisória que beneficiava a instituição financeira.

"Vou me debruçar sobre isso (hoje), mas, obviamente, esse assunto aqui (denúncia de que favorecimento ao BTG em emenda à MP) tem que primeiro ficar muito bem claro, para não confundir a minha decisão com esse assunto", afirmou em entrevista coletiva. Para o peemedebista, o fato de ele ter anunciado na última quinta-feira, 26, que iria decidir hoje sobre os pedidos de saída de Dilma pode ter motivado o vazamento da denúncia contra ele. "Então, provavelmente eu não decidirei hoje em função disso, mas é minha intenção decidir", emendou, sem dizer quando deverá fazer o anúncio.

Embora tenha prometido anunciar a partir de hoje o deferimento ou não dos pedidos de impeachment de Dilma, o presidente da Câmara só deve fazer qualquer anúncio depois de amanhã, após a reunião do Conselho de Ética da Câmara em que deverá ser votada a admissibilidade ou não da representação contra ele por quebra de decoro parlamentar. De acordo com aliados de Cunha, a ideia é pressionar deputados da base aliada, principalmente do PT, a votarem para salvar o peemedebista no colegiado e livrá-lo do processo que pode levar a sua cassação.  

Emenda. Como divulgado ontem na imprensa, documento colhido em buscas feitas na casa de Diogo Ferreira, assessor do líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (PT-MS), cita pagamento feito a Cunha para aprovar emenda em MP que beneficiaria o BTG Pactual, de André Esteves. O banqueiro e o senador foram presos na última quarta-feira sob acusação de estarem tentando atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. O texto aparece no verso de um documento que seria o roteiro de uma das reuniões em que Delcídio tentou comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró.

"Em troca de uma emenda à medida provisória número 608, o BTG Pactual, proprietário da massa falida do banco Bamerindus, o qual estava interessado em utilizar os créditos fiscais de tal massa, pagou ao deputado federal Eduardo Cunha a quantia de R$ 45 milhões", diz o texto. Ainda segundo o escrito no documento: "Pelo BTG, participaram da operação Carlos Fonseca em conjunto com Milthon Lyra. Esse valor também possuía como destinatário outros parlamentares do PMDB. Depois que tudo deu certo, Milton Lyra fez um jantar pra festejar. No encontro tínhamos as seguintes pessoas: Eduardo Cunha, Milton Lyra, Ricardo Fonseca e André Esteves".  

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