ANDRÉ DUSEK|ESTADÃO
ANDRÉ DUSEK|ESTADÃO

Cunha diz que tumulto em frente ao Congresso precisa ser investigado

Presidente da Câmara afirmou que investigará confusão antes de decidir sobre a retirada do acampamento instalado no local por defensores do impeachment da presidente Dilma Rousseff

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

18 Novembro 2015 | 18h06

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que ainda é preciso investigar o tumulto desta quarta-feira, 18, no gramado do Congresso Nacional antes de decidir sobre a retirada do acampamento instalado no local por defensores do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Hoje, o gramado foi palco de manifestações que terminaram em tiros, duas pessoas presas e parlamentares atingidos por spray de pimenta durante a votação dos vetos presidenciais.

Cunha declarou que ainda não tem elementos para comentar sobre o episódio - que chamou de "estranho" -, mas disse que não admitirá "falta de ordem". Para ele, "alguma coisa tem de ser feita". "Sempre que a ordem estiver em perigo, vou intervir", enfatizou.

O peemedebista afirmou que autorizou a permanência do acampamento desde que a segurança fosse preservada. "Claro que isso também depende do Renan (Calheiros, presidente do Senado)", emendou. O presidente da Câmara acredita que o episódio desta tarde pode ser fruto de provocações mútuas e "gente infiltrada".

Críticas. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse que, apesar da Câmara ser uma Casa aberta ao povo, é preciso melhorar a segurança dos parlamentares. "Nós deputados estamos aqui muito vulneráveis". O petista destacou que a manifestação das mulheres negras era em comemoração à semana da Consciência Negra e que não havia intenção de montar acampamento.

Para o petista, a "falta de respeito" no plenário incentiva o ambiente negativo fora do Congresso e criticou o clima desrespeitoso na Casa. O deputado disse que "não há democracia" sem ordem e lembrou que o presidente do Congresso, Renan Calheiros, era contrário ao acampamento. "Há que se tomar providências. Acho que tem que fazer uma limpeza geral aqui. Do jeito que está não dá", pregou.

O líder do governo disse sentir saudades dos tempos dos deputados Ulysses Guimarães, de Mário Covas, de José Genoino e Fernando Henrique Cardoso. "Era outro plenário. Esse plenário brilhava. Não tem mais nada disso, virou um vale-tudo. Até os discursos estão pouco qualificados", criticou.

Guimarães fez uma analogia aos atentados que vitimaram os franceses nos últimos dias e disse que o terrorismo tem de ser condenado, seja da esquerda ou da direita. "A ordem democrática não pode permitir esse tipo de coisa. Isso não pode continuar desse jeito."

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.