DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Cunha incentiva saída de Temer da articulação

Após declaração de presidente da Câmara, Planalto reage e ministros fazem aceno ao vice, cujo partido discute com mais ênfase rompimento com PT

Erich Decat, Rafael Moraes e Moura Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

02 de julho de 2015 | 16h05

Atualizado às 22h01

Brasília - Integrantes da cúpula do governo entraram em campo nesta quinta-feira, 2, para rebater ataques de lideranças do PMDB e conter movimentações na legenda pela saída do vice-presidente Michel Temer (PMDB) da articulação política do Planalto. A “força-tarefa” encabeçada pelos ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva, parte do pressuposto de que, sem o peemedebista, o governo perderá de vez o que lhe resta de sustentação política. 

No fim do dia, Temer esteve com a presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada. A reação quase conjunta dos ministros ocorreu após declarações do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que deixou o clima de rebelião contra o governo ainda mais conflagrado. “O Michel entrou para tentar melhorar essa articulação política e está claramente sendo sabotado por parte do PT. A continuar desse jeito, o Michel deveria deixar a articulação política”, defendeu Cunha. 

A resposta do Planalto foi imediata. “A presença do vice-presidente da República, Michel Temer, na articulação política do governo representa não apenas um gesto de desprendimento e sacrifício pessoal, como vem trazendo grandes resultados na relação com o Congresso Nacional”, afirmou Mercadante, em nota.

A reação também foi encampada por Edinho. “O presidente da Câmara tem o direito de se posicionar, de ter as suas opiniões, todos que acompanham o dia a dia do governo sabem que o governo da presidente Dilma valoriza o vice-presidente Michel Temer. O vice-presidente Michel Temer tem papel fundamental na governabilidade”, disse o ministro.

No entorno do vice-presidente, as declarações de Cunha foram minimizadas e ocorreram em reação aos ataques vindos de integrantes do PT e do governo na discussão da maioridade penal, ocorrida na Câmara entre terça e quarta-feira. A queda de popularidade de Dilma também foi considerada como ingrediente para um posicionamento mais duro por parte de Cunha.

Fogo amigo. No PMDB, é cada vez mais forte o sentimento de que Temer tem tido dificuldades impostas pelo próprio governo para fazer a articulação política. A principal queixa é a de que o vice tem empenhado a palavra junto aos parlamentares, mas não tem sido respaldado pela Casa Civil na liberação de cargos de segundo e terceiro escalão e de emendas dos congressista. 

O mais recente episódio de desgaste é o entendimento no governo de que deputados e senadores licenciados não têm direito de aplicação das emendas parlamentares. Esse entendimento recairia sobre congressistas que, por exemplo, se afastaram do mandato para exercerem cargos de ministros e secretários de Estado. “Há um sentimento de que as coisas precisam avançar. O presidente Michel Temer precisa efetivar os compromissos firmados”, defendeu o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ).

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