DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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'Sérgio Moro se acha dono do País', diz Cunha

Presidente da Câmara, acusado por delator da Lava Jato, afirma que juiz não poderia ter colhido depoimento contra autoridade com foro no Supremo

VICTOR MARTINS E DANIEL CARVALHO, O Estado de S. Paulo

17 de julho de 2015 | 12h46

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), criticou os procedimentos adotados pelo juiz Sérgio Moro na delação de Julio Camargo, que acusa o peemedebista de cobrar US$ 5 milhões em propinas. Segundo Cunha, o juiz não poderia ter colhido depoimentos contra alguém que tem foro privilegiado. Ele alega que isso só poderia ser feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

"Juiz de primeiro grau não poderia ter conduzido depoimento daquela maneira. Ele violou o procedimento de foro privilegiado, ao qual eu tenho acesso", afirmou durante entrevista coletiva concedida na manhã desta sexta-feira (17) na Câmara. O presidente da Casa afirmou que seus advogados vão entrar com uma reclamação para que o processo vá para o STF. "O juiz acha que o Supremo se mudou para Curitiba", disse.

Ele argumentou ainda que a denúncia contra ele tem de ser feita e votada pelo Supremo, onde ele disse já ter sido réu e absolvido por unanimidade. "O fato de a pessoa ser denunciada não significa que é culpada", observou. Para o deputado, Moro tem agido como "dono do País". 

Apesar das críticas ao juiz, Cunha disse que, diferentemente da Procuradoria-Geral da República (PGR), Sério Moro não sofre influência do governo. "É óbvio que Moro não está orquestrado com o governo, não vou brigar com ele. Farei uma reclamação para que o caso vá para o Supremo. Ele fez um procedimento que não tinha competência para fazer", garantiu. 

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